domingo, 9 de fevereiro de 2014

IMAGEM

(inspirada na célebre frase: "você nunca esteve")

A caminhada é longa e me cansei
Sentei à beira da estrada e cantei
Desejei o sonho que não realizei
E a esperança ficou para trás
Olho para frente e não vejo estradas
Ouço alguém chorar e não sei como consolar
As lágrimas regam o solo fértil e a semente germina
Estou delirando?
Há um quadro novo sendo pintado
As cores vivas retratam a morte
Qual será a minha sorte?
Ainda tento entender o que aconteceu
E por quais caminhos andei
E como foi que aqui cheguei.
Lembro-me do caminho com flores
Lindas, perfumadas, multicores.
Lembro que havia pedras também
Em algumas tropecei, mas outras eu ajuntei
E as carrego comigo, como troféus da vida
Pássaros cantando...ah! os pássaros
Amo a música que me conduz
E que traduz em melodia meus sentimentos
O cheiro do amanhecer trás a alegria do viver
As plantas úmidas pelo orvalho refrescam a jornada
Mais um por do sol alucinante: como pode Deus ter feito um céu tão radiante?
A noite vem, aprecio a lua e viajo em meus pensamentos:
Gostaria de estar contigo.
Meus pés pisam a areia fresca da noite
Ouço as ondas do mar em uma melodia intermitente
E embalada por essa fantasia adormeço
Acordo e me encontro no caminho sem volta
Será que foi  realidade ou será que foi sonho?
Imploro para que eu possa voltar
Para que eu sinta o orvalho na minha pele
Para que eu possa afagar aquela criança
E que na minha esperança haja vontade de viver
Anseio por flores com seus odores tomando o ar
Pela música tranquila que estava a me encantar
E a água cristalina que me convidava a nadar.
Prostro-me e oro.
Choro.
Ninguém ouve meu choro
As lágrimas não molham o chão
Não há sombra atrás de mim
Minhas mãos tocam o nada
Minha voz é silêncio.
Será que há eu?
Na noite continuo a jornada
Que é sempre indeterminada
Sem pegadas no chão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário