Alguns dias são malditos e não deveriam existir.
Dias de morte em que a dor atroz corta o viver
Deixam de ser dias e tornam-se trevas
Trevas que devastam o ser e corroem a alma.
Tristeza irreparável consome o vivente
Dores maiores são as entre vivos, porque com a morte há fim
E vivos, mesmo que zumbis continuam
E a perpetuidade da vida se propaga para o eterno
Noites de escuridão intensa
Do cansaço da vida e o almejo pela morte
Verdades ditas, mas não vividas
Morte precoce do ser.
Como em ermos bosques a vida se transforma
E padece doente ante a solidão
O céu é breu assim
como o ser que longe vai
A floresta escura o abraça e implora para que ali
permaneça
Que padeça consigo, que não a deixe mais só.
Impiedosa é a vida
E os seres que fragilmente se vão
E os seres que fragilmente se vão
Corpo sem alma não é
ser, é talvez.
A água barrenta é amarga e as entranhas faz perecer.
Lampejos de esperança fazem brotar a planta
Que luta, que se levanta
Mas que da escuridão se espanta
E retorna cautelosamente ao seio da terra
Volta a ser semente, para quem sabe em outro tempo
Tente novamente.
Momentos errados, vidas partidas.
Pedras esfaceladas como pó
E rochas de certezas levadas pela correnteza do vento
Pois delas nada restam.
Ainda na escuridão, o som desaparece
E sem o calor do sol
a vida empobrece.
Cansada da miséria, do egoísmo da flor que se sobressai
Melhor calar, aquietar e descansar no pó.
Cansado o capim de não ser margarida
De ser pisado por não ter valor
Se flor fosse, seria amado e acariciado.
Contenta-se com a
mediocridade do ser que é
E sem lamentar-se de sua sorte,
Lança-se ao léu, pois para ele não há mais céu.
Coragem ou covardia?
Talvez na doce ironia
Da vida que vivia
Simplesmente assumia
A tristeza que sua alma trazia
E vivendo, morria.



