Sentimentos que marcam a vida, que nos fazem sonhar e declinar, que nos fazem buscar novos caminhos e a busca que se finda com o próprio caminho, quando se encontra a parada, o final, a falta do amanhã. Experiências de vida, de família, de risadas e de lágrimas. Momentos que fazem parte desta construção de REGISTROS que são minha própria visão da existência.
quinta-feira, 27 de março de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
IDAS E VIDAS
Logo cedo ao dia raiar
Está o pequeno peixe a nadar
Segue o barco a
embalar
E com ele quer sempre brincar
Numa pequena distração foi na rede parar
E no convés da embarcação está a se agitar
O pescador está peixes
a separar
Mas por ser pequeno volta ao mar
Admirado pela bondade do pescador
Persegue-o seja onde for
Desejando ser amigo do seu salvador
Que na angústia mostrou amor
Por muitas outras vezes na rede foi parar
E o pescador já estava a lhe falar
E histórias de amigos a trocar
Almejando em outra viagem se encontrar
O peixinho, agora já crescido
Ouvia atento, comovido
As poesias do amigo
Que o haviam seduzido
Num final de tarde ao por do sol
Estava encantado pelo arrebol
Mal sabia que aquele farol
Era ao final um simples anzol
Havia festa no lar
Música para festejar
Muitas máscaras a usar
E um peixe para o jantar
segunda-feira, 3 de março de 2014
QUEM SOU EU?
Como eu me defino?
Como você define a si mesmo?
Não preciso enumerar minhas qualidades e meus defeitos e nem quero que você faça isso consigo.
Minha questão é simples mas profunda e requer que pense um pouco mais.
O que motiva sua vida, seu dia a dia e seus sonhos?
Você é realmente o que pensa que é?
Você é o que os outros pensam que você é?
ou
Você é o que os outros desejam que você seja?
Como pautar-se diante das dificuldades do dia a dia e ainda sermos nós mesmos?
Como manter firme nossos princípios, convicções e sonhos quando o mundo ao nosso redor diz que você não vai conseguir?
O que pauta suas decisões quanto a sua própria vida: é você mesmo, é sua família, são seus amigos ou é o seu trabalho?
Por quais caminhos você anda que realmente você os construiu?
Você está vivendo os seus sonhos ou os sonhos alheios?
Quando você cumprimenta o vigia do prédio em que você trabalha e ele não responde, em poucos dias você deixa de cumprimentá-lo. Ele, o vigia, está comandando sua atitude e sua cordialidade? Sim.
Ou
Alguém lhe afronta com palavras duras e você reage da mesma forma e na mesma altura. Esse alguém por alguns minutos comandou seus atos? Sim.
Percebe?
Sua opinião varia conforme o interlocutor da notícia ou de acordo com o argumento mais ou menos forte de um colega ou professor?
Qual o seu norte?
Vejam, não digo que não podemos mudar nossas opiniões, porque passamos a vida aprendendo, mas o quão facilmente você consegue ser levado por novos ventos?
Volto aos sonhos...
Olhando internamente para você mesmo, para seus mais profundos objetivos - se não os tem, sonhe por um ou por alguns e dedique seu tempo a eles - qual sua força para alcançá-los?
Seja você mesmo, buscando o que há de melhor dentro de você,
E se não encontrar nada, busque em Deus.
Se sua definição sobre você mesmo não lhe agradou, mude, busque ser o que você melhor sonhou ser.
Se você desistiu de algum sonho, resgate-o. Nunca é tarde!
Se você está feliz com o que você percebe sobre si mesmo, ainda assim, não se contente com o óbvio, avance, porque a vida só termina com a morte.
domingo, 2 de março de 2014
ESSÊNCIA x ATITUDE
Pensamentos, palavras e ações...
Estamos submetidos à égide de nossas
palavras?
Aquilo que falamos é
realmente o que fazemos? Em que pautamos nossos pensamentos, palavras e atos?
Toda atitude nasce no
pensamento e nossa mente é incrivelmente fascinante e nela podemos produzir
qualquer tipo de pensamento, desenvolvermos teses, chegarmos a conclusões,
analisarmos afetos, desafetos, atitudes e mesmo produzi-las. Essa formatação é
incrível e não há cópias para os caminhos que os neurônios fazem em nosso cérebro. Somos únicos e isso nos faz
seres mais do que especiais. Não somos “fabricados” em série e nem há e nunca
houve um ser humano sequer que fosse igual ao outro.
Os pensamentos nos levam
muitas vezes a palavras. Todo tipo de palavras, boas ruins, em qualquer língua,
muitas vezes algumas das quais nem sabemos o real significado, mas falamos
porque temos boca. Nossos pensamentos podem ser expressos pelas palavras:
aquilo que almejamos, o que esperamos de alguém, lembranças, momentos importantes,
trabalho, piadas, reflexos de outros, nossos sentimentos e amor ou mesmo ódio.
Temos essa incrível capacidade de nos expressar, não significando que podemos
dizer tudo o que nos vem a mente, pois há um filtro que se chama ética, outro
moral, outro respeito e muitos “outros” que nos fazem refletir um pouco antes
de dizermos palavra.
Os pensamentos também nos
levam a atitudes. E assim como as palavras, estas devem ser filtradas por bom
senso, por leis que nos regem, sejam elas morais, éticas ou mesmo cogentes,
impostas pela própria sociedade, pela igreja, ou ainda pelas normas do Estado.
Podemos limitar nossas atitudes em decorrência da fé, independente de qualquer
denominação religiosa, sendo consequência de uma vida contínua da busca pelo que
é bom, reto, edificante e que nos aproxima do Deus a quem honramos.
Comparar pensamentos com
palavras e atitudes pode ser um tanto subjetivo, porque muitas vezes estes não
correspondem com aqueles, porque posso muito desejar uma coisa e falar ou fazer
outra. Mas quando ouço Jesus: “Pois do que há em abundância no coração, disso
fala a boca. Mateus 12:34”,
então penso que muitas das nossas palavras são exatamente aquilo que há em
nossa mente? Viajo pra Paulo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que
não quero esse faço. Romanos
7:19” Meus pensamentos podem desejar o bem, querer o bem, mas na hora da
atitude, fazer tudo errado?
Uma afirmativa não nega a
outra, simplesmente mostra a complexidade do ser humano. Desenho em minha mente
o que desejo ser, o que pretendo dizer, racionalmente sei por qual caminho a
seguir, mas não somos só razão: somos razão+emoção. Não podemos nos dividir em
dois (divisão Aristotélica) e simplesmente separar nosso ser racional do emocional.
Deus nos criou unos racionalmente e emocionalmente. Jamais poderemos ser só
emoção ou só razão. Sempre uma interferirá na outra e só poderemos alcançar a
felicidade – também pregada por Aristóteles – quando tivermos harmonia e equilíbrio
entre essas duas faculdades.
Concluo então que podemos
ter pensamentos bons, maus e mesmo assim não transformá-los em palavras ou
atitudes. Mas quando estas ultrapassam os limites do pensamento e criamos
expectativas em nossos destinatários e não conseguimos cumprir o que dissemos
temos uma contradição. Nossas dificuldades aumentam e nossas relações são
colocadas a prova. Nossa confiabilidade é questionada e a situação é agravada
quando na sequencia das palavras nossas atitudes se contradizem. Vejam quão
complexo é o ser humano em suas relações: pensamentos que levam a palavras transformadas
em atitudes. Então uma delas não corresponde a outra ou mesmo nenhuma delas se
corresponde. Quantas contradições. Como o destinatário de todas estas ações se
comporta? Será que ele consegue compreender quem é você ou o que realmente você
pensa e está querendo reproduzir?
Quem somos ou o que somos?
Nossa essência corresponde as nossas atitudes? Minhas palavras, minha postura,
meus gestos, meu olhar correspondem ao que sinto em meu coração, aquilo que vai
em minha mente e que move meu ser?
Posso fazer tudo certo,
mas também posso fazer tudo errado.
Nessa turbulência entre
erros e acertos, posso magoar pessoas que amo e que estão próximas a mim.
Transparência, fidelidade ao que se diz e ao que se promete, buscar ser sempre
melhor. Não melhor do que os outros- somos únicos- mas melhor do que a si
próprio e no doar-se aos outros.
Muitos, assim como eu, são
norteados pelo princípio da presunção da veracidade, talvez por ingenuidade, e confiamos em
outros até que se prove o contrário. É muito bom quando a verdade daquilo que
vimos e sentimos permanece, amadurece e se incorpora a própria vida. Porém quando
a prova contrária aparece, a confiança declina e a mágoa vem agravada quando as
expectativas são grandes e a confiança naquela pessoa maior ainda. Considero
ainda mais difícil quando a relação com a outra pessoa é de amor e você entregou
a ela todo o seu ser. O que fazer nestes casos? Como recuperar a imagem de verdadeiro, de boa pessoa com
boas intenções se a essência, aquilo que você espera de si mesmo, não foi expresso por suas atitudes? O que se pode fazer quando as palavras são contraditas
pelos atos? Como podem relações rompidas por essas mágoas serem
recuperadas?
Há uma palavra que pode
desconstruir toda essa situação negativa: perdão. É o que eu espero que façam
quando me magoam e é o que eu espero fazer quando minhas atitudes são contrárias
as minhas palavras ou pensamentos, ou quando eu perceba que agi de forma
negativa e magoei alguém.
Não digo que este seja um
caminho fácil, pois é difícil para quem pede e difícil para quem deve perdoar.
Ambos exigem um trabalho interno acirrado, porém proveitoso para ambas as
partes. O perdão não significa volta ou status
quo ante. Perdão e volta são duas coisas distintas e não se confundem. Perdão
indica “daqui em diante” (efeito ex nunc),
pois toda e qualquer experiência vivida, seja positiva ou negativa, não se
apaga da nossa mente, não é deletada, mas essas experiências trazem grandes
lições e com elas crescemos, aprendemos e nos aproximam da harmonia entre a nossa
essência e nossas atitudes.
Enfim, quero concluir
dizendo que há uma consequência do perdão, aquela que todos almejamos e que
ambos desfrutam não podendo ser valorada, tamanho o seu significado: a PAZ.
sábado, 1 de março de 2014
SEM NOÇÃO
A difusão da luz me tonteia
E a cada passo me envolvo na teia
Sinto-me presa no labirinto
Deste pequeno recinto
Corro sem rumo
E por um momento reassumo
O controle da existência
Mas sempre na mesma pendência
O lugar é tosco
E sei que estou no maior enrosco
O que vim fazer aqui?
Diria “que abacaxi”!
Sei que ao final será cilada
Mas sou uma apaixonada
Por esse sabor ligeiro
Mas totalmente traiçoeiro
Quero a permissão
Para sair desta prisão
Encontrar a liberdade
E voltar para minha cidade
Apesar do exposto
Ainda lembro-me do seu gosto
E voltaria ao tempo noviço
Por um pedaço daquele queijo suíço
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