terça-feira, 10 de outubro de 2017

Cicatrizes



Participei de uma exumação no final de semana.

Acredite, não é aconselhável e tampouco algo do qual se possa dizer que foi bom, ou mesmo que tenha valido a experiência, a menos que se pensar em não repeti-la.

Os mortos devem permanecer onde estão e abrir feridas já cicatrizadas não é um bom exercício, tampouco rejuvenesce o espírito.

A Psicologia diz que devemos retirar tudo o que está confuso dentro de nós, como se estivéssemos arrumando o guarda-roupa, colocando todas as roupas para fora e depois então organizando. Não consigo colocar meus sentimentos e cicatrizes no mesmo patamar de meu guarda roupas. As roupas são facilmente dobradas, separadas por estação, por tipos e cores, e colocadas em seus lugares.

Contudo, sentimentos não podem ser recolocados nos mesmos lugares novamente. Cada vez que mexemos neles, que reabrimos feridas, não há como colocar novamente no mesmo lugar. Devo comprar um novo roupeiro? Não, pois eu sou a mesma, não posso ser outra pessoa. E o que percebo, é que estes sentimentos vão passar por um novo processo, talvez estas feridas cicatrizem um pouco mais depressa, mas não sem dor e sofrimento novamente.

Quando uma ferida é aberta, é como um câncer que fez metástase: ela acaba abrindo outras feridas, atingindo outros órgãos, como em uma consecução de atos e fatos e desencadeia outros sentimentos que se acumulam. Com o passar dos dias se percebe que mais sentimentos de tristeza e outros tantos pelos quais já se passou vem à tona e juntam-se num só coro de tristeza para dizer que também estão presentes em sua vida.

Mais dias haverá para encontrar outros remédios, talvez os mesmos que foram eficazes da primeira vez, ou talvez estes já estejam fora do mercado e outros não tenham mais o efeito desejado.

Há a solução dada por Deus: olhar para cima, para o próximo e não para suas próprias feridas, pois doerão menos se não olhar para elas.

O processo irá acontecer, as feridas irão fechar novamente e a dor passará, deixando desta vez apenas uma cicatriz um pouco maior.




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Família do lenço amarelo




Qual o tamanho da felicidade
Em mais alto nível de reciprocidade
Desfrutando dos mesmos ideais
Em dias jamais ditos iguais

Cada momento é consagrado
Ao que deixamos nosso legado
Com tanta amabilidade
Estreitando fortes laços de amizade

Em dias de sol somos aventureiros
Nas chuvas geladas ainda guerreiros
Enfrentando sórdidos nevoeiros
Deixamos para trás o morro traiçoeiro

Vitórias sempre alcançamos
Quando aos pés do Mestre nos lançamos
Como irmãos de lenço colaboradores

Somos para sempre "os desbravadores"!