quinta-feira, 17 de maio de 2018

Lástimas



A escuridão vinda do leste anuncia a tarde que cai
E com as sombras da noite a esperança se esvai.
Triste semblante, tentando ir adiante,
Desencontrando o presente, sente-se ausente
Na lenta jornada que não mais lhe atrai.

Pudesse estar agradecida pela oportunidade conferida
Pois mesmo que desmedida, ainda é sua guarida.
Mas pobre do ser desgarrado que anda atropelado
Pelas circunstâncias alheias do seu próprio legado.

Levanta-se dolorosa canção em busca de sua incontida paixão
Até que lhe some a voz, obscurecida pelo som da escuridão.
Não lhe estufa o peito com orgulho pelos feitos
Pois jaz angustiada e derribada entre caiados leitos.

Clama por socorro a sua voz, em alto e bom tom
Declina o olhar e descobre não ser este o seu dom.
Quem poderá lhe ouvir, oh alma errante
Nesse jardim florido de uma terra distante?

No mundo imaginário ergue-se em prantos,
Em rogos de lástimas e desencantos
Continua em passos firmes e descontentes
Sabendo que nada mais é do que o seu próprio presente.