Mas não era a mídia que me intrigava. Faz muitos anos, ou talvez a vida toda, nunca me contentei com o que me diziam. Cheguei a pensar de mim mesma que eu talvez não fosse normal, já que a curiosidade sempre me fazia questionar e buscar respostas. Sempre prestei muita atenção ao que meu pai dizia ( política, economia, partidos políticos, pessoas, enfim...) e tive fases em que concordei e outras em que discordei dele. Não só dele, mas do mundo em si. Cheguei no ponto em que eu achei que a doidice estava às minhas portas, pois eu não conseguia mais saber qual era o caminho da verdade, e em tudo o que eu lia parecia que as verdades em que outrora eu acreditara, agora estavam recheadas de mentiras. Parte das verdades eu havia vivido, então, o que eu vivi era verdade ou mentira? No que realmente eu fui ensinada a acreditar? Pra que foi mesmo que a sociedade me treinou?
Desisti...
Achei que a vida aconteceria do mesmo jeito, eu sabendo ou não.
Não me importei mais e esqueci que havia um mundo exterior e fui viver minha vida.
Mas o destino voltou a me importunar e a genética abençoada do ser autodidata voltou a me atormentar.
Parece que ela não me ouviu quando eu disse que eu já havia me cansado daquilo e que pouco me interessava a vida do planeta e a maldita política nele instaurada, que ser da teoria da conspiração era um risco, pois eu já não sabia mais qual lado é que conspirava, se o da esquerda ou o da direita, se o do céu ou do inferno.
Conversas com meu irmão inteligente (que se vivêssemos em tempos de clã, ele com certeza seria o chefe - não que os outros 3 não o sejam), me aguçaram a buscar novamente por respostas. Outras questões surgiram. Outras conversas, outros emails, outras pessoas inteligentes questionadoras pelo caminho.
Voltei a escalar o muro e buscar o que havia além dele.
Difícil no início, pois havia novas filosofias e doutrinas que só me tornaram mais confusa ainda e cada vez mais eu entendia menos.
Talvez essa confusão seja proposital pra quem busca respostas. Ninguém busca por elas enquanto suas convicções não forem provocadas.
Do outro lado do muro há sol. Consigo visualizar algumas respostas, ainda que simples sobre questões antes obscuras e incertas.
Estou quase como criança quando descobre pela primeira vez como abrir uma bala: fascinada.
Ainda estou só no primeiro doce. Há um pacote todo para ser explorado e digerido.
E isso é muito bom!"
