
Em dias como hoje
questiono a vida e os muitos porquês que
a envolvem. Não entendo por exemplo o porquê do sofrimento na terra, por que as
pessoas tem de sofrer. Racionalmente entendo que a Bíblia diz que o homem
pecou contra Deus e por isso a consequência é a “morte” a dor e o sofrimento e que esta terra não tem jeito, que as coisas nunca vão mudar e
que a alegria só será restaurada no céu. Pois bem, se é assim, então pra que
nascer, pra que ter infância, ficar adulto e obviamente ficar velho e morrer? Não
entendo pra que este trajeto aqui, não entendo porque tenho que passar por
isso. Não seria bem mais fácil simplesmente não ter nascido? Se todos também
têm sofrimentos, não seria bem mais lógico ninguém ter nascido? Imaginando que
fosse só eu a sofredora, talvez ainda tivesse alguma razão pra que fosse assim,
mas o sofrimento não atinge só a mim, mas a todas as pessoas do mundo,
independente de raça, cor, sexo ou credo. Basta ser humano para isso.
Podemos achar que somos felizes quando estamos na inocência da infância,
protegidos pelos pais ou por algum adulto que nos assista, mas a partir do
momento que adquirimos consciência da nossa condição que resposta temos? Esperança
de que haverá um novo céu e uma nova terra? Beleza, entendo, mas to cansada de
viver de esperança e parece que ela anda fugindo de mim, porque seria um pouco
menos doloroso viver se aqui fosse um lugar melhor também. Somos fadados a
viver 70 ou 80 anos já sabendo que vamos de alguma forma morrer e já sabendo
disso, então, esse meio do caminho, serve pra que mesmo? Influenciada por bons
pensamentos, posso dizer que podemos ser boas pessoas e com isso contagiar
outros que estão perto de nós e quem sabe fazer a vida deles um pouco melhor,
mas no fundo o que isso altera o inicio e o fim da nossa jornada? Não afirmo com isso que acho
correto deixarmos o barco correr ou virarmos bandidos porque dessa forma estaríamos
piorando a vida de quem está ao nosso redor, portanto, drogas, bandidagem,
mentiras ou qualquer outra forma de mal, sou totalmente contra. Não é esse o
ponto da minha questão. É pura e simplesmente saber por que realmente estamos
aqui. Qual o propósito da nossa existência na Terra, neste ínfimo planeta que é
menos que nada em comparado com o grandioso universo.
Como eu dizia, se todos
sofrem e todos são atingidos pelo mal, por doenças, pela morte de familiares,
pela fome, pela falta de amor, pelo trabalho ingrato, por pessoas traiçoeiras,
pela perda de quem mais se ama, o que podemos esperar deste mundo? Morrermos em
paz por termos cumprido a missão? Mas que missão? Alguém te incumbiu de algo
que implicasse em sofrimento e dor pra alcançar outro objetivo que desconheço?
Não estou discutindo a
validade da vida eterna ou do céu. Estou dizendo que não compreendo, não sei o
motivo real de se estar aqui e viver aqui. No fim o fôlego de vida se vai e o
corpo desaparece e algumas gerações a mais e ninguém mais sequer saberá o seu
nome. Valeu a pena lutar, valeu a pena tanto esforço? Parece-me que trabalhamos
e estudamos tanto por sonhos e objetivos que criamos em nossa própria mente,
mas que também se consomem em nós mesmos.
Pessoas agarram-se nas
mais diversas crenças e filosofias, mas nada disso preenche o questionário da
vida e o vazio existencial. Pra onde vamos quando morremos? Pra lugar algum,
simplesmente morremos. Perdoem-me os que acreditam diferente, mas odiaria a
ideia de que meu pai estivesse lá no céu agora me vendo chorar e concluo, ele
não estaria no céu, mas sim num "inferno" pior do que foi a terra, pois veria
claramente todo o meu sofrimento. Deus é melhor do que isso e simplesmente o
deixa onde ele está: no pó da terra e só, ele e ninguém precisam continuar
sofrendo após a morte, basta o que há aqui. Também contesto os que acreditam na
reencarnação que é tão triste e penoso quanto a teoria da imortalidade da alma. Temos uma
só chance, uma só vida e o que fizermos nela não poderá ser mudado ou alterado
em alguma vida futura e muito menos termos que voltar a esta terra pra novos
sofrimentos, pra outras culpas, pra novas tentativas ou pagarmos por erros daqueles que já se foram. Como disse, há uma só chance e uma só vida: faça dela
seu melhor, porque será única.
Depois desses parênteses
sobre crenças, volto a minha própria vida e parca existência e vejo milhares de
pessoas que já se foram e que somente alguns nomes servem de história para nós.
Alguns porque foram bons demais e outros que pelo contrário, foram maus demais.
Isso sem contar que sempre em cada história contada, a verdade, a alma nunca
são realmente conhecidos e sempre quem ganha a guerra é que conta a história, o
que fica ainda mais difícil de entender quem era aquele ser humano.
Posso estar triste demais,
mas uso máscaras. Aprendemos a usá-las logo cedo quando ainda crianças quando nossos
pais dizem que não devemos ser tão sinceros quando ganhamos uma boneca feia,
mas temos que por um sorriso nos lábios e agradecer dizendo que gostou do
presente. Acho que esta é uma das primeiras máscaras que aprendemos a construir:
a da falsa cortesia. Depois prosseguimos com elas para o resto das nossas vidas.
Alguns se libertam, e são taxados de resistentes ao sistema ou de insurgentes,
ou qualquer outro “ente” possível e cabível para o momento histórico.
O que inquiro aqui não é o inicio ou o fim da vida , mas sim esse intervalo entre o nascimento e a morte. É nessa jornada de tristezas e de lutas pontuada apenas por momentos de felicidade, que me atenho. Como se o pano de fundo fosse todo tristeza e apenas alguns detalhes alegres, ou como na composição em que toda a melodia melancólica permanece e apenas uma ou duas frases fazem sorrir? Por que tem que ser assim? Por que esta jornada de anos e anos não pode ser diferente? Por que estamos fadados ao sofrimento e as vitórias são apenas flashes de felicidade e esta "sobrevida" nos consome como uma doença que nos leva calmamente para túmulo quando ainda estamos vivos? Redundância? ninguém é levado pela doença depois de morto, mas entendam que há vida, que há necessidade de viver, que há muito a se fazer, mas que somos corroídos pelos flagelos "comuns" do dia a dia e pelas perdas irreparáveis que sofremos.
Não suporto mais as perdas e não me lembro de ter sido criada para elas e não sei de alguém que sinta-se feliz por perder quem ama, mas isso acontece nesse trajeto e não encontro justificativas plausíveis para esse sentimento irreversível, para esse vazio que invade a alma e que todo humano em algum momento é obrigado a enfrentar.
Bom, depois de toda essa
preleção, vejo que minhas perguntas continuam vagando pelo espaço oco da minha
mente, que precisa ser preenchido por respostas que nunca tenho.
E assim com tantas
questões, prostro-me em terra pela minha ínfima existência e compreensão de
coisas que não compreendo e julgo que o certo seja apenas prosseguir naquilo
que é correto, justo e bom e que Deus esteja comigo e com cada um que busca por respostas assim como eu.