sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O TÍTULO NÃO EXISTE

Por Dannie Mignoni

Lágrimas caíam.
Estancadas da face, ainda
encharcavam o coração.
Era incessante.
Era duro.
Como pequenos cristais, brilhavam em seu rosto.
A beleza que não era bela...
Juntas formavam uma harmonia.
Fazem arte em poesia
entre gritos de melancolia
de alguém que calaria
contando mais do que a boca
poderia expressar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

CADA DIA...




Na pedra sentados dois seres
Um por do sol a apreciar
A paisagem está a ludibriar
Dois corações que estão a se amar

O enlace das mãos
O toque pelo olhar
Concluem que o tempo
Está apenas a começar

Um beijo perdido no ar
Embalado pelas ondas do mar
Dizem que ele jamais poderá acabar
Senão quando a morte os levar

Não há destino traçado
E o não pode ser anulado
Do sofrimento quero ser poupada
Do qual já estou cansada

Dizer adeus é besteira
Quando de qualquer maneira
A vida continuará ligeira
Descendo depressa a ladeira

Penso pra que esperar
E  não consigo mais imaginar
Pois tua vida tem aqui o seu lugar
É só querer estar

Vou cada dia vagando
E por pedras caminhando
Na lágrima sempre encontrando
A saudade que vai me atropelando

Ainda vou subir
Nas alturas se eu subsistir
Mas não quero desistir
Pois o amor vai sempre existir

TEMPO




Não tenho vontade de escrever
E o sono vem minha mente entorpecer
Quero logo o amanhecer
Para a vida poder viver.

Sonho acordada e não vejo o tempo
O relógio acelera contra o vento
E cada tic do tac é um tormento
Que me aprisiona nesse aposento.

Cada minuto que passa aumenta a escuridão
E desgostoso está meu coração
Tenho medo de perder a visão
E ficar para sempre nessa aflição

A porta fechou-se atrás de mim
E pressinto algo ruim
Será que essa tristeza terá fim?
Minhas indagações tem cor carmesim

Dizem que há esperança
No olhar de cada criança
E nela busco a confiança
De que permanece a aliança.

No presente busco o passado
Para encontrar o meu amado
Pelas ruelas anda enlaçado
Pela vida será tragado.

Ainda quero ver a alvorada
E o brilho do sol na madrugada
Anunciando o fim da cilada
Que dilacera a alma machucada.

Que meus passos possam ser de paz
A absorver todo o calor que a vida traz
E nesse caminho voraz
Ser feliz ao te encontrar ainda vivaz.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS





Não tenho mais tido tempo para filosofar ou parar pra pensar em coisas importantes e outras sem o menor valor. Bom, nem tão assim sem valor. Essa questão de valores parece um tanto relativa, pois pode haver coisas caras pra você quando pra mim não passam de banalidades.

Penso não no superficial, naquilo que a mídia “vende” como importante e justo, motivados pelo dinheiro que grita seus desejos para a sociedade, um tanto manipulada, que se contenta em chegar do trabalho a noite e gastar o restante do seu tempo fazendo pós graduação em alienação na frente da televisão. Para estes torna-se um tanto difícil discutir sobre valores, mesmo aqueles intrínsecos e mais escondidos no âmago do ser.

Estes valores julgo eu, terem sido presentes de Deus para o ser humano, quando o criou e disse que seríamos a Sua imagem (forma) e semelhança (aquilo que herdamos diretamente de Deus). Fico admirada e fascinada pela antropologia. Como pessoas do outro lado do mundo, de ilhas distantes ou mesmo aqueles que ainda vivem aqui no Brasil, na selva, os quais julgamos com prepotência que somos melhores do que eles pois somos civilizados, mas que na essência somos iguais e temos as mesmas bases morais e éticas que eles.Vejam, não falo de cultura, dos costumes ou das diferentes formas de agir, mas como conclusão de alguns livros que leio e que confirmam o que a Bíblia diz em Hebreus 10:16 “[...]Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos[...].”. Quero citar alguns exemplos que me chamam a atenção, pois o que percebo é que o ser humano possui em si a necessidade de crer, de fé, de acreditar em alguém ou alguma coisa. Todos buscam por completar esse vazio que há dentro de si. 

          No decorrer de toda a história da humanidade observamos os milhares de deuses criados pelo ser humano, sejam eles de pedra, de barro, um outro ser humano, a ciência ou o próprio Criador. Há também a necessidade de se descansar um dia da semana, como se fosse um ciclo vital à sobrevivência humana e algumas pesquisas apontam  que este descanso seja feito de 7 em 7 dias. Várias são as religiões e seus dias de guarda, seja na sexta-feira, domingo ou o próprio sábado como a Bíblia diz. ( Êxodo 20:8 – “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”). Continuando,  posso citar o respeito aos pais, o adultério ou roubo e como os povos consideraram estes atos como maus ou indignos e isso não é só conceito do ocidente, muito menos novidade do século 21, mas existe desde 4.000 a.C. e concluo que apesar de deturpados pelo pecado, ainda conservamos fortes traços da “semelhança” de Deus que temos intrínsecos em nós.

          Quando penso em valores,  incluo ainda a máxima de Jesus: “E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” - ( Lucas 10:27). Estes também são valores necessários e que urgem por sua prática.

          Essa reflexão se faz necessária ante as barbáries que ocorrem a nossa volta: homicídios, roubos, inclusive a regressão de um povo que, cansado da impunidade e da falta de segurança, faz justiça com as próprias mãos. Valores deturpados pela ambição, pelo egoísmo e pela busca frenética de realização pessoal não importando a que preço.

         Havendo pessoas com aspirações mais poéticas e axiológicas, com a força para nadar contra a correnteza do mau, do que machuca, do que ignora, do que não ama, do que não valoriza a vida, e muitos outros verbos negativados pela omissão do amor, ainda, se há pessoas que lutam por uma sociedade melhor, que buscam construir dentro de si e daqueles que estão próximos, valores baseados no amor e na manutenção da vida, usando de empatia, então há esperança de que nosso presente, nosso dia a dia possa ser melhor.

           Cito a escritora Ellen G.White em um texto que me faz pensar em escolhas: A maior necessidade do mundo é a de homens... Homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao seu polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus". Lembro que li este texto pela primeira vez quando eu tinha uns 16 anos e sempre me imaginei no grupo daqueles que não se compram e não se vendem...

          Isso tem um preço, lógico que tem. Toda escolha tem. Mas apesar da vida humana ser como uma sombra que passa, cada um pode deixar marcas positivas pela boa influencia exercida sobre quem está próximo e que por causa daqueles a jornada da existência seja mais leve e os dias mais tranquilos para aqueles que perpassam por nossa vida.

          Enfim, pergunto: qual o valor dos seus valores?   A quem você é semelhante?

DENGOS





Entre montanhas e mar
Ouço alguém ao piano tocar
Há uma bela canção no ar
Que sempre me inspira a sonhar

Em leves flocos a neve cai
E o ar gelado não me retrai
Por um momento lembro-me de meu pai
Que me diz: aquietai!

Amo o frio e a neve
Amo o calor que chega de leve
Mas ainda prefiro que seja breve
Nunca mais longo que a semibreve

Com o mundo transformado em branco
Abro meus braços e  danço
Leveza em sintonia com o balanço
Da brisa que se transforma em canto

A paisagem torna-se igual
E nela se sobressai um rosto angelical
Num sorriso que parece sobrenatural
Que me atinge com força mortal

Mesmo na mais longínqua montanha
Sua imagem sempre me acompanha
E jamais esquecerei a façanha
De te beijar só por manha

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

DIVAGANDO



Em dias como hoje questiono a vida e os muitos porquês que a envolvem. Não entendo por exemplo o porquê do sofrimento na terra, por que as pessoas tem de sofrer. Racionalmente entendo que a Bíblia diz que o homem pecou contra Deus e por isso a consequência é a “morte” a dor e o sofrimento e  que esta terra não tem jeito, que as coisas nunca vão mudar e que a alegria só será restaurada no céu. Pois bem, se é assim, então pra que nascer, pra que ter infância, ficar adulto e obviamente  ficar velho e morrer? Não entendo pra que este trajeto aqui, não entendo porque tenho que passar por isso. Não seria bem mais fácil simplesmente não ter nascido? Se todos também têm sofrimentos, não seria bem mais lógico ninguém ter nascido? Imaginando que fosse só eu a sofredora, talvez ainda tivesse alguma razão pra que fosse assim, mas o sofrimento não atinge só a mim, mas a todas as pessoas do mundo, independente de raça, cor, sexo ou credo. Basta ser humano para isso.   Podemos achar que somos felizes quando estamos na inocência da infância, protegidos pelos pais ou por algum adulto que nos assista, mas a partir do momento que adquirimos consciência da nossa condição que resposta temos? Esperança de que haverá um novo céu e uma nova terra? Beleza, entendo, mas to cansada de viver de esperança e parece que ela anda fugindo de mim, porque seria um pouco menos doloroso viver se aqui fosse um lugar melhor também. Somos fadados a viver 70 ou 80 anos já sabendo que vamos de alguma forma morrer e já sabendo disso, então, esse meio do caminho, serve pra que mesmo? Influenciada por bons pensamentos, posso dizer que podemos ser boas pessoas e com isso contagiar outros que estão perto de nós e quem sabe fazer a vida deles um pouco melhor, mas no fundo o que isso altera o inicio e o fim da nossa jornada? Não afirmo com isso que acho correto deixarmos o barco correr ou virarmos bandidos porque dessa forma estaríamos piorando a vida de quem está ao nosso redor, portanto, drogas, bandidagem, mentiras ou qualquer outra forma de mal, sou totalmente contra. Não é esse o ponto da minha questão. É pura e simplesmente saber por que realmente estamos aqui. Qual o propósito da nossa existência na Terra, neste ínfimo planeta que é menos que nada em comparado com o grandioso universo.
Como eu dizia, se todos sofrem e todos são atingidos pelo mal, por doenças, pela morte de familiares, pela fome, pela falta de amor, pelo trabalho ingrato, por pessoas traiçoeiras, pela perda de quem mais se ama, o que podemos esperar deste mundo? Morrermos em paz por termos cumprido a missão? Mas que missão? Alguém te incumbiu de algo que implicasse em sofrimento e dor pra alcançar outro objetivo que desconheço?
Não estou discutindo a validade da vida eterna ou do céu. Estou dizendo que não compreendo, não sei o motivo real de se estar aqui e viver aqui. No fim o fôlego de vida se vai e o corpo desaparece e algumas gerações a mais e ninguém mais sequer saberá o seu nome. Valeu a pena lutar, valeu a pena tanto esforço? Parece-me que trabalhamos e estudamos tanto por sonhos e objetivos que criamos em nossa própria mente, mas que também se consomem em nós mesmos.
Pessoas agarram-se nas mais diversas crenças e filosofias, mas nada disso preenche o questionário da vida e o vazio existencial. Pra onde vamos quando morremos? Pra lugar algum, simplesmente morremos. Perdoem-me os que acreditam diferente, mas odiaria a ideia de que meu pai estivesse lá no céu agora me vendo chorar e concluo, ele não estaria no céu, mas sim num "inferno" pior do que foi a terra, pois veria claramente todo o meu sofrimento. Deus é melhor do que isso e simplesmente o deixa onde ele está: no pó da terra e só, ele e ninguém precisam continuar sofrendo após a morte, basta o que há aqui. Também contesto os que acreditam na reencarnação que é tão triste e penoso quanto a teoria da imortalidade da alma. Temos uma só chance, uma só vida e o que fizermos nela não poderá ser mudado ou alterado em alguma vida futura e muito menos termos que voltar a esta terra pra novos sofrimentos, pra outras culpas, pra novas tentativas ou pagarmos por erros daqueles que já se foram. Como disse, há uma só chance e uma só vida: faça dela seu melhor, porque será única.
Depois desses parênteses sobre crenças, volto a minha própria vida e parca existência e vejo milhares de pessoas que já se foram e que somente alguns nomes servem de história para nós. Alguns porque foram bons demais e outros que pelo contrário, foram maus demais. Isso sem contar que sempre em cada história contada, a verdade, a alma nunca são realmente conhecidos e sempre quem ganha a guerra é que conta a história, o que fica ainda mais difícil de entender quem era aquele ser humano.
Posso estar triste demais, mas uso máscaras. Aprendemos a usá-las logo cedo quando ainda crianças quando nossos pais dizem que não devemos ser tão sinceros quando ganhamos uma boneca feia, mas temos que por um sorriso nos lábios e agradecer dizendo que gostou do presente. Acho que esta é uma das primeiras máscaras que aprendemos a construir: a da falsa cortesia. Depois prosseguimos com elas para o resto das nossas vidas. Alguns se libertam, e são taxados de resistentes ao sistema ou de insurgentes, ou qualquer outro “ente” possível e cabível para o momento histórico.
O que inquiro aqui não é o inicio ou o fim da vida , mas sim esse intervalo entre o nascimento e a morte. É nessa jornada de tristezas e de lutas pontuada apenas por momentos de felicidade, que me atenho. Como se o pano de fundo fosse todo tristeza e apenas alguns detalhes alegres, ou como na composição em que toda a melodia melancólica permanece e apenas  uma ou duas frases fazem sorrir? Por que tem que ser assim? Por que esta jornada de anos e anos não pode ser diferente? Por que estamos fadados ao sofrimento e as vitórias são apenas flashes de felicidade e esta "sobrevida" nos consome como uma doença que nos leva calmamente para túmulo quando ainda estamos vivos? Redundância? ninguém é levado pela doença depois de morto, mas entendam que há vida, que há necessidade de viver, que há muito a se fazer, mas que somos corroídos pelos flagelos "comuns" do dia a dia e pelas perdas irreparáveis que sofremos. 
Não suporto mais as perdas e não me lembro de ter sido criada para elas e não sei de alguém que sinta-se feliz por perder quem ama, mas isso acontece nesse trajeto e não encontro justificativas plausíveis para esse sentimento irreversível, para esse vazio que invade a alma e que todo humano em algum momento é obrigado a enfrentar.
Bom, depois de toda essa preleção, vejo que minhas perguntas continuam vagando pelo espaço oco da minha mente, que precisa ser preenchido por respostas que nunca tenho.
E assim com tantas questões, prostro-me em terra pela minha ínfima existência e compreensão de coisas que não compreendo e julgo que o certo seja apenas prosseguir naquilo que é correto, justo e bom e que Deus esteja comigo e com cada um que busca por respostas assim como eu.