De quem é a culpa? Minha?..não!
nunca!..a culpa é dele, é dela, é do pai, da mãe, do “falso”amigo. E quando não resta mais ninguém para enumerar
na tentativa de resposta à acusatória pergunta, a resposta refugia-se na
sociedade, em Deus ou no destino.
Porque é tão difícil
para o ser humano assumir as consequências de seus próprios atos?
Indago a mim mesma,
indago à justiça que estudo, indago às obras que leio.
Entendo claramente
os limites do livre arbítrio. Conversava sobre isso com minha filha ontem quase
na madrugada onde o cérebro parece encontrar o momento pra despejar filosofias
e nela encontrei ótima companheira de profundos pensamentos e questionamentos.
Falávamos sobre
escolhas, responsabilidades e livre arbítrio.
Escolhas que fazemos
constantemente. Aquelas que fluem do nosso próprio caráter e que nos fazem ser
diferentes, não melhores, mas questionadores da nossa própria existência e dos
nossos próprios desígnios como filhos de Deus.
Consequentemente as
escolhas estão agarradas e arraigadas às consequências. Não conseguimos
admoestar sobre uma sem tratar da outra, tamanha ligação que as amarram.
Pequenas escolhas
nos levam pelos caminhos diários da vida, mas grandes escolhas, geralmente
aquelas que nos são mais difíceis mudam nossos caminhos, abrem e fecham portas,
nos fazem saltar para as nuvens ou nos derrubam ao chão.
Muito bem até ai. Não
há problema nenhum quando nossas escolhas nos levam por caminhos que nos deixam
felizes, em que sentimos prazer pelo que fazemos e há paz no coração.
A dificuldade está
em aceitar quando erramos, quando nos enganamos, quando houve um grande
equívoco em nossa escolha e que as consequências nos trarão dificuldades. Talvez
seja um alívio para a consciência colocar a culpa em outra pessoa ou em qualquer outra situação. Cômodo assim?
Para a grande maioria das pessoas parece que funciona bem. Mas a quem se está
enganando? Aos outros ou a você mesmo? Bem pior é tentar enganar a si mesmo.
Assumir que errou,
faz parte de um processo de crescimento, de auto conhecimento das próprias
fraquezas e fragilidades. Entender que errou, buscar corrigir o erro – se há
esta possibilidade – ou mesmo pedir perdão faz parte do amadurecimento, do
entendimento que busca a perfeição, que busca bons relacionamentos, onde se
constrói a confiança e principalmente, a
compreensão de si próprio.
Esbarro no livre
arbítrio. Há muitas situações que fogem ao controle, em que sou simplesmente a consequência
da decisão alheia. Talvez eu possa clarear:
Imagine
que estou dirigindo pela estrada, dentro dos limites das leis de trânsito e outro carro, em alta velocidade atinge o meu
veículo. Não foi escolha minha bater, portanto perdi meu livre arbítrio, minha
liberdade de continuar o meu caminho. No entanto, na limitação do meu livre arbítrio,
posso escolher naquele momento que reação terei diante do fato. Posso descer do
carro e gritar com o outro motorista, ou
posso, antes de mais nada, tentar socorrer quem estava comigo no carro, ou
ainda posso ligar para o resgate.
Mesmo em situações
que fogem ao meu controle, em que o livre arbítrio me foi limitado, ainda
dentro destas situações eu posso escolher o que fazer com a parca lista de
possibilidades que me restou.
Escolhas feitas. Sou responsável por elas não importa o quão limitadas
elas tenham me sido apresentadas. Não posso culpar ninguém por ter escolhido A
ou B a não ser a mim mesma e aprender com as consequências, quer sejam boas, quer sejam difíceis de engolir.
Enfim...filosofias
de vida, de crescimentos, de quedas e do levantar-se delas.
Faz parte da
caminhada, dos trilhos da vida, das alegrias e das tristezas, de boas e de más
escolhas, e que neste momento, fazem parte deste Registro da vida.