sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Fragrâncias



assim como o vaso de flor
expõe no alpendre a sua cor
como o pássaro que alto voa
exalta que sua beleza não é à toa

no belo jardim guardado está
a mais pura fragrância do que há no ar
suspirar por sua beleza é realeza
tocar em suas pétalas é a mais pura nobreza

o jardim cultiva o perfume da flor
que exala para além seu odor
o sábio perscruta com a lua
o porquê dessa paixão que o autua

a inocência não sabe responder
ilumina-se tímida para do amor não dizer
porque deixou a música de tocar
e seu coração escusa-se a bailar

ela não quer mais ser descoberta
e o seu silêncio disso atesta
ao longe a magia lançou
e nos braços do Pai silente descansou




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O Terminal



Do filme " O terminal", gostaria de destacar algumas coisas interessantes que observei:

1. Trabalho - em qual circunstância de crise estamos em que é impossível trabalhar?  A situação de estar em um país diferente do seu e sequer falar a mesma língua, e mesmo assim, ter a dignidade de trabalhar, mostra a força que existe no ser humano. Primeiro empurrando carrinhos para coletar moedas, e depois na construção civil. 
Me chamou a atenção quando o administrador do aeroporto descobriu que o Viktor ganhava 19 dólares por hora. Bem mais do que o salário dele. Lembrei que já passei por situações assim. Sou uma profissional e para minha formação dediquei centenas de horas de estudos, e no entanto, meu salário correspondia a 1/3 do que recebia a faxineira da mesma empresa. Não desprezando o trabalho de ninguém, apenas comparando, de que há tremenda desvalorização do trabalho intelectual e de grandes responsabilidades, em comparação com o trabalho braçal. 

2. Amizade - a simpatia e cortesia abrem portas e fazem amigos. Mesmo pessoas que, vendo-o superficialmente não simpatizem com sua pessoa, no momento em que o conhecerem melhor, vão ter a oportunidade de descobrir maravilhosas coisas sobre você. Portanto, nunca se deixe enganar pelas aparências. Pessoas são poços profundos e há muito o que se aprender com cada um. 

3. Honestidade - existem regras a serem seguidas. Algumas que parecem boas e outras nem tanto assim. De qualquer forma, algumas leis são absolutas (falo das morais) e estão presentes em todo o mundo. Regras estas de conduta e que, não importa onde você esteja, elas demonstrarão o tipo de pessoa que você é.  José um dia disse: "como poderia eu desonrar a meu pai e ao meu Deus?". Não importava onde ele estivesse, se como escravo, se como chefe dos negócios,  se como prisioneiro ou como governador, ele mantinha regras morais absolutas de conduta e elas o levaram a vitória em sua vida. A honestidade consigo mesmo em saber que se está fazendo a coisa certa é uma grande virtude. 

2. Amor - a aeromoça que ele conheceu disse, referindo-se ao namorado:"estou esperando por ele há 7 anos". Quem em sã consciência esperaria por alguém por 7 anos? Existe realmente um amor capaz de aguardar por tanto tempo outra pessoa? Há encontros e desencontros. Pessoas que amam mas que não são correspondidas. Aquela velha história de que A ama B, que ama C, e que ama D, e que ama E e assim por diante, mas que jamais se encontram. Pessoas que esperam por outras por longos anos. Em contraponto a estas, há pessoas que nunca esperam, que descartam, que desistem, que desacreditam no amor. 
Jacó amava Raquel e por ela trabalhou por 14 anos. Se 7 é muito, quem dirá 14. Havendo amor, vale a pena? Para Jacó sim. Mas por pouco tempo. A Bíblia não fala exatamente quanto tempo, mas diz que após nascer o segundo filho de Raquel, esta faleceu. Sempre imagino que Jacó viveu muito mais tempo amando Raquel sem poder tê-la do que após o casamento. 
A vida realmente é muito curta e a velocidade com que ela passa é imensa. 
Qual o tempo real do amor? qual o tempo real do seu e do meu amor?
A vida passa como uma sombra e será que vale a pena esperar? Talvez seja perda de tempo e pura ilusão. Talvez não. 
Quem saberá?







sábado, 10 de setembro de 2016

81



Hoje meu pai completaria 81 anos.
Já faz 3 anos e 9 meses que ele se foi.
Estive no cemitério.
Meu irmão havia deixado flores lá (meu irmão é muito cuidadoso e atencioso e sempre mantém o túmulo do meu pai bonito e bem arrumado).
O tempo passa, e a vida continua num frenesi que estes 4 anos se foram rápidos demais. 
Confesso que busco meios para sobreviver a perdas e o melhor que encontrei para mim foi estudar. Foi ler. 
Esse hábito me ajudou a superar a dor e o vazio que se formou em mim. Estudei ciência política. Li bons livros e alguns deles me ajudaram a reencontrar Deus. 
Desde então, sigo em frente, pelo caminho que irei trilhar, com a certeza de uma bússola.
Mas algumas coisas acontecem, talvez para ainda me lembrar que sou humana e não máquina. 

Uma manhã acordei. Era janeiro de 2013. Olhei para o teto e era o do meu quarto. Suspirei aliviada quando percebi que tudo o que eu havia vivido até então não passara de um terrível pesadelo. Respirei aliviada por saber que estava com meus 15 anos e segura em meu quarto. Me virei na cama, pra poder continuar com aquele sentimento fantástico de alívio que havia se apossado de mim. Mas quando me virei, abri os olhos, e já não era o teto do meu quarto que eu via, mas sim as paredes e guarda roupas do meu quarto em Floripa. 
Desesperei. Eu quis voltar. Mas o fato é que a vida real havia se imposto e estava me mostrando que a dor era a minha realidade. 
Sempre desejei voltar naquele tempo. Sempre desejei que toda a dor não passasse de um pesadelo, e que a paz e a alegria que eu sempre vivi, pudessem voltar a fazer parte de mim. 

Esta semana, enquanto lia um e-mail, sentada ainda à mesa, logo após o almoço, em uma fração de segundos eu voltei a 2009. Senti uma dor forte no peito, as palavras embaçaram,  e senti meu pai atrás de mim. 
A sensação era a mesma: de que eu estava em casa, de que eu havia voltado de um grande pesadelo e de que minha vida fluía a partir dali. 
Tentei respirar fundo pra não perder nada, para que aqueles milésimos pudessem ser prolongados e eu estar bem outra vez. 

Essa sensação de poder voltar a um tempo que já não existe mais, me fez sentir como se eu vivesse uma vida paralela a que realmente é minha. 
Se eu acreditasse em vidas paralelas, pensaria que a minha existe. E mais, se eu acreditasse em almas vagando pelo mundo, acreditaria que meu pai esteve comigo. 
Mas nada disso existe. 
A realidade é onde realmente estou. 

Confesso, que tanto no primeiro momento, quanto no segundo, chorei amargamente.
Como se o tempo que vivo é só emprestado e que não pertenço a ele. 

O triste é que não posso voltar. Não posso estar novamente no passado e muito menos sentir aliviada o cheiro da paz que não tenho mais. Não aquela. Hoje tenho outra paz, reconstruída, reformada, com cicatrizes ao fundo, que jamais sairão dali.