sábado, 30 de novembro de 2013

DEVANEIOS



Quando a tarde cai
E o crepúsculo da noite vem
O céu pintado em cores
Alegra-se com a novidade da noite.
Estrelas cintilantes na imensidão do universo
Tendem a dizer que a bela noite aparece.
A lua faceira, intrigada com tanta festa
Lança seu brilho de magia sobre os que estão a se amar.
Acompanhado de tanto fulgor vindo do céu
A melodia das ondas embala o ser
E a orquestra acompanha o vento que sopra leve e faz viver.
Palmeiras a beira mar, iluminadas pelo luar
Reclamam a beleza daquele lugar
E imploram para que se complete
De forma doce a fantasia
De um mundo novo que se inicia.
Noite suntuosa  de regozijo
Iluminada pela extravagância do momento
E pelos devaneios das ondas e do luar,
Em que almas encontram-se enlaçadas
Pela eternidade assim a se amar.
À noite infinita se rendem enfim
E na melodia do amor inocente
Declaram que não há fim.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

TEATRO


Do lado de fora
As paredes se revestem de cor
Muitas vezes amarelas, brancas ou azuis
Mas sempre caracterizam o seu interior.
No vai e vem e na corrida da vida
Percebem quem passa.
Sua  localização pode refletir o calor do sol
Ou trazer sombra ao que busca frescor.
Paredes são testemunhas silenciosas
Dos amores que perto passam
Dos beijos roubados e dos amores traçados
Amores eternos e que o tempo não apaga.
Em dia de sol,  ao olhar furtivo da margarida que passa
Leva o código secreto, do amor profundo
Que estremece o coração.
Centenárias ou não
Aos poucos, pedaços pelo chão
E a mão procura em vão
Pela marca da sua nobreza.
O tempo a desfaz e rouba sua beleza
Que independente de sua natureza
Mantém eternamente o selo do amor  
No coração daqueles
Que por ela foram abrigados.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

CICLOS



Referia-me  às palhaçadas da vida, da infância percorrida com o carinho da vida.
A inocência vivida e a beleza da libélula que vai de encontro ao vento e na procura do néctar encontra a saída.
Busca pelo inesperado contando com o esperado. Ilusão de ótica ou distorção da própria vida.
Reflexão cabisbaixa e sofrimento que traz lições.
Cada momento que passa, escolhe-se entre a dor e a alegria. Qual delas devo escolher agora se no peito sangra a dor?
Máscaras usadas, mentiras calculadas, simpatia de vida.
À margem da vida observo a história, que escolhas fazia, que mentiras dizia, que a alma trazia naquela existência a certeza vazia.
Escolhas já feitas, decisões desfeitas.
Implica a nostalgia desta pequena poesia, que de quem provém nada de poeta tem.
A espera pelo que não se tem, sentada no banco da praça da vida. Que envelhece, que entristece, que ao outono obedece e que espalha as folhas dos sonhos pelo chão.
O banco apodrece e a vida se esvai, no inverno da vida que em cinza se faz.
Cansada da espera, do nunca e da apatia.
Feliz aquele que caminha e em seu rosto somente alegria e que na primavera sua dor alivia.
Palavras faceiras nas tardes trigueiras do verão que se aproxima.
A noite cai e a duna quente se esfria.
Novamente o outono se aproxima e a vida se reinicia, no mesmo ciclo de dor e de alegria, que na magia do tempo, envelhece, entristece, sorri e se vai.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

VALORES



Notas levadas ao vento, sem importância se tornam quando o que se busca elas não podem comprar. Jogadas pela mesa, sem uso, sem destino certo, sem ao menos sofrerem da forte influencia capitalista.
São imprescindíveis para muitos momentos, raras quando não podemos pagar.
Tê-las pressupõe poder, status e uma riqueza  que poucos detém  mas ao mesmo tempo inúteis  frente a preciosos bens que somos incapazes de valorar:
a vida, o amor, os amigos, o abraço apertado, a lágrima que escorre, o sorriso sincero, o olhar apaixonado.
A tarde faceira, ensolarada, a risada que toca o coração, a música que dança no olhar.
A chuva derradeira, o frio intenso, o abraço que agasalha, o amor que aquece.
O gorjeio dos pássaros, o ninho que acolhe, a mãe que afaga.
A flor que desabrocha, o perfume que inspira,  a fruta saborosa e a cor que encanta.
A noite escura, estrelada, o luar que faz sonhar.
A amizade que com o tempo não morre e o abraço da vida ligeira.
O amor que enobrece,  o sorriso que entorpece, o beijo que estremece.
A verdade da vida, a realidade da morte, a intensidade da fé.
Vejo simples notas  levadas ao vento e que os bens mais importantes não podem comprar.