domingo, 16 de outubro de 2016

Não sei que título dar...


a visão da tua imagem
me faz sentir como em miragem 
apreciando o que há de mais belo
como se em momento paralelo

esta vida que cabe aqui
é como a música que senti
entre fortes e pianos
elevam a mente a um só plano

a conquista vem devagar
são horas a fio a lutar
mas o formato final 
é a glória principal

é dos fortes a perseverança
e a vitória sempre alcança
o brilho do olhar insiste
sabendo que do amor nunca desiste

a nostalgia do tom menor
se completa quando encontra a alegria do tom maior
e da súplica superada
encerra a música com alma lavada

toda a vida é conquista
é música, é amor sempre em vista
felicidade é a paz no coração 
de quem na vida alcançou salvação

na estrofe a escolha está
maior ou menor ela te elevará
a alegria está no olhar
daquele que sempre soube amar




domingo, 9 de outubro de 2016

Deus - Amaro Poeta




Deus fez o mundo do nada
E em seis dias terminou,
Dois terços de água em cima
O mar na terra plantou,
E o céu bordado de estrelas
Suspenso no ar deixou.

O arco íris pintou
No céu como um diadema,
O sol nascer cor de ouro
E morrer da cor de gema,
E no crepúsculo da tarde
Deixou escrito um poema.

Com sua força suprema
Deu velocidade ao vento,
Deu as aves asas soltas
Pra bailar no firmamento,
Porque o mestre é o único
De perfeição cem por cento.

Sem o seu consentimento
Nada se move na terra,
O seu projeto não falha
Sua previsão não erra,
A máquina não enferruja
E nem o seu eixo emperra.

Seja no ar ou na terra
Deus é puro e escorreito,
Deu a lua quatro faces
E nenhuma dá defeito
Toda semana ela muda
Mas não muda o seu efeito.

O universo perfeito
Pintou de todas as cores,
Fez do chão um lençol verde
E ornamentou de flores,
Com animais e florestas
E deu para os seus pastores,

Trata bem dos pecadores
Que pra Deus isso é comum,
E ainda deu um anjo
Da guarda pra cada um,
Cuida de todos os filhos
Sem se esquecer de nenhum.

Deus é três pessoas num
Pai, Filho e Espírito Santo,
Ninguém foge do seu olho
Nem escapa do seu manto,
Se transporta sem andar
E voa sem sair do canto.

A chuva que cai do manto
Pingo a pingo é peneirada,
O rio de água doce
E o mar de água salgada,
Que a natureza obedece
A quem fez tudo do nada.

Visita toda morada
No dia a dia sagrado,
Ninguém pensa qualquer coisa
Que ele não tenha pensado,
Que Deus ama o pecador
Mas aborrece o pecado.

Do poder ilimitado
O mestre é onipotente,
Do saber absoluto
Deus é o onisciente,
E por estar em toda parte
Ele é onipresente.

Deus com sua mão potente
É comandante da nave,
A bordo do globo faz
Girar o cosmo suave,
Dos desígnios e mistérios
Só ele possui a chave.
Quem do olho tira a trava
Enxerga os defeitos seus,
Que o mestre é dono de tudo
Até da fé dos ateus,
Que até quem não tem fé sabe

Que o dono do mundo é Deus.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Nefasta dor!

Como entender a dor?
Acredito que é muito difícil compreender a dor se ela nunca foi sentida.
É como tentar explicar a dor aguda do corte do dedo feito por uma folha de papel. Mas depois que cessa a dor, apesar de poder explicar, não dá pra senti-la novamente. Não aquela, talvez uma nova dor se cortar novamente o dedo.
Mas como compreender a dor de alguém que tira a própria vida?
Minha experiência tem me ajudado a compreender esta dor um pouco melhor. 

Sempre me achei uma pessoa feliz.
Na inocência da vida, cheia de sonhos, de boas visões do futuro e segura de que sempre tudo daria certo.
A vida não é sempre assim.
Sou consequência das muitas escolhas que fiz e das escolhas de outros que atingiram e impactaram a minha vida. Sempre resta depois, decidir ainda o que fazer diante das escolhas dos outros e de como devo deixar que isso determine os rumos da minha vida. 

Após 2007, apesar de lutar duramente, buscando coisas que me dessem algum sentido para continuar, eu estive em depressão. Fiz vários tratamentos com medicamentos diferentes, e sempre busquei ter bons pensamentos, apesar do sofrimento.
Não obstante algumas vezes me sentir melhor, eu estava afundando cada vez mais, e minha situação tornou-se insuportável quando perdi meu pai e quando tive a certeza de que o homem que eu amava jamais poderia estar comigo novamente. 
Neste tempo, briguei com Deus e exatamente em 07 de julho de 2013, escrevi:

“Já chorei, gritei, prostrei...
Duvidei de Deus, questionei, esbravejei...
Me isolei, calei, sofri...
Revoltei, fui pra rua e manifestei...
Fui confundida e me confundi...
Não me encontrei, me perdi...
Desejei ardentemente um colo, um cafuné...
O consolo Deus me deu quando meu coração aliviou...
Dói demais e cada palavra lembrada me faz chorar...
Não encontro o que procuro...
O direito me foi tomado...
Mas quando olho pra lua e lembro que ninguém a olharia assim
Lembro que além dela, muito além,
Há esperança de que a paz encontrarei. 

Quando ler esta poesia, não fique alarmado
Pois as palavras não falam, senão do meu estado.
Me perdoa, não sou poeta como você
E a rima se perde na lágrima que escorre
E fico por aqui, tentando aliviar a alma que morre.”

Eu não deixei de conversar com Deus, e o fazia todos os dias, várias vezes durante o dia, mas eu não podia mais senti-Lo. 

Por causa dos meus estudos e do pouco tempo que eu tinha disponível eu havia abandonado grande parte dos meus amigos.
Já nesta época, me isolei. Não estava mais com os amigos, e agora também havia deixado minha família de lado e eu comecei amar a solidão e a presença das pessoas perto de mim me incomodava.
Paulatinamente fui enterrando aqueles 2 homens da minha vida. A cada pá de terra eu afundava um pouco mais junto com eles.
Percebi que eu estava morrendo. Desesperei. Eu precisava de uma saída.
Eu precisava me agarrar a alguma coisa que me chamasse a atenção, e que naquele momento pudesse distanciar meus pensamentos da dor. 

A dor, a mais profunda, aquela que só tua alma sabe que existe, dificilmente é percebida por outras pessoas.
As máscaras que usamos também são bons disfarces e por mais que pessoas que nos conhecem sentem que estamos diferentes, jamais conseguem perceber a profundidade do abismo e a escuridão em que estamos inseridos e era exatamente assim que eu estava. 

Então decidi estudar ciência política. Assunto que me intrigava e como gosto de desafios, achei que seria uma boa alternativa para aquele momento.
Afundei-me em livros e estudos. O que eu não conseguia de livros reais (de papel), eu baixava em pdf. E foi assim que em janeiro de 2014 troquei alguns livros em pdf com uma prima minha e ela me mandou um livro do C.S Lewis, e foi este livro que me reconectou com Deus. 
Devo dizer que foi um pequeno fio, tão fino quanto o fio de uma teia de aranha, mas foi o suficiente para que me fizesse sentir Deus novamente. 

Contudo, em julho daquele mesmo ano, logo no inicio das férias da faculdade, adoeci. Foi como se todas as energias que tinha tivessem se esgotado com o final de semestre e com as provas abrangentes.
Recuperei-me fisicamente, mas não emocionalmente. Minha fuga havia terminado e ela só se iniciaria no próximo semestre.
Resvalei e numa fração de segundos eu me encontrei num abismo muito mais negro e profundo do que eu jamais estivera antes. Não havia outro pensamento em minha mente do que o de tirar a minha vida e de que aquela seria a única maneira de me livrar da dor imensa que eu sentia. 

Não pense que conselhos, que palavras de amigos dizendo o quão importante você é, ou de quão boa você é no trabalho que faz muda alguma coisa. Nada disso faz sentido. Tampouco pensar em sua família, filhos, nada disso afasta a ideia de que a morte é a solução. É como se naquele estado, se estivesse protegida por uma redoma de aço, e palavras, atitudes, flores e cores fossem completamente inúteis e sem penetração alguma em sua alma. Seus sentimentos e razão estão bloqueados, protegidos e o sentimento de ser ninguém nem para si e nem para os outros é um pano de fundo para a dor que transborda em você. 

Explicar esta dor? Explique a dor do parto para alguém que nunca teve filhos...a outra pessoa pode tentar entender, mas jamais compreenderá e simplesmente não faz sentido. 

Durante alguns dias naquela semana, pensei em como poderia concretizar aquele pensamento que era forte em minha mente. Em vários momentos cheguei perto. E acredite, não havia pensamento algum que pudesse afastar aquela certeza. Mesmo que eu quisesse, eles simplesmente não tinham efeito. 

Numa manhã acordei. Eu sentia uma dor profunda em meu peito e lágrimas rolavam pelo meu rosto. Olhei para o lado: meus filhos ainda dormiam. Novamente os pensamentos de morte vieram forte sobre mim. Mas um pensamento cruzou como raio minha mente: “Se você se matar, seus filhos vão sentir a mesma dor que você está sentindo”.
Pensei: “não, eu não quero isso para meus filhos, dói demais!”
Aquele pensamento me assustou. Continuei racionalizado: “se eu fizer isso, a dor deles será pior do que a minha, porque eu tive tempo de vida com meu pai, e eles terão a deles diminuída comigo, e quem lhes dará conselhos? Quem gastará horas conversando sobre coisas da vida, problemas, política, garotos e garotas? Quem orientará meus filhos?”

Todas estas questões me incomodaram como nunca havia acontecido antes, e como num piscar de olhos, e com grande remorso, afastei aquela ideia nefasta da minha mente e ela nunca mais voltou. 

Se entendo como uma pessoa se sente quando decide tirar a própria vida? Sim....infelizmente por experiência própria eu compreendo. 

Para aqueles que não compreendem, não julguem. Vocês não tem ideia do que é isso.  Clichês como "isso é falta de Deus, de fé, é puro egoísmo, e blábláblá"...acreditem...vocês não sabem o que estão falando.

Mas afirmo que assim como a dor do dedo cortado não pode ser sentida novamente, aquela dor também não. E penso, que se as pessoas que cometem suicídio tivessem uma segunda chance, assim que aquela nuvem negra de desespero humano fosse afastada delas, elas teriam certeza de que aquele não seria o caminho escolhido. 

Sinto muito porque às vezes sou falha e não percebo a dor existente na alma de pessoas que amo, e assim perdi o Sergio e ontem o Airton. 
Dor que compreendo, mas que pela distância, pelos poucos encontros e pelo contato exíguo acabam por deixar lacunas maiores ainda e agora preenchidas pelo vazio da morte.

Realmente eu sinto muito, e talvez mais ainda por compreender o tamanho da dor que abate a alma e pelo sofrimento imenso que ela causa.  

Mas acredite, se você tivesse uma segunda chance, tenho certeza de que você venceria a dor e que jamais decidiria assim de novo. 

Para aqueles que estão em dor, em sofrimento, deixo aqui minha experiência, triste, confesso, e que não me orgulho dela, mas é de uma pessoa real, com sofrimentos, desafios, sentimentos, e com vitórias, principalmente vitórias. 

Pode ser que você esteja protegido pela redoma de aço da dor e que não se sinta atingido por nada, mas creia que haverá uma brecha e que esta salvará a sua vida. Creia nisso. Lute mesmo sem forças. Mesmo contra a sua vontade procure um médico. Entenda que isso passará.  Não perca jamais a esperança.  E derradeiramente: não deixe jamais de conversar com Deus, mesmo que isso lhe pareça inútil neste momento, mas saiba que Deus o alcançará.