Sempre gostei de arte, de
apreciar o belo e sempre pensei que eu gostasse da arte clássica, devido a
minha formação musical, também clássica.
Desta forma, toda vez em que eu
tinha oportunidade, eu gostava de visitar museus e foi assim quando conheci São
Paulo e fui visitar o museu do Ipiranga, ouvir concerto no Teatro do Bexiga, e
posteriormente outros museus e mesmo quando estava nos USA e tínhamos um tempo
livre, procurávamos por algum museu para visitar e conhecer da história daquela
localidade e sua arte.
Em uma das vezes em que estava de
férias em Florianópolis com meus filhos, tiramos alguns dias para visitarmos
lugares belos, históricos da cidade e também os museus.
O primeiro selecionado foi o da
Universidade Federal, e qual não foi nossa decepção ao saber que o mesmo estava
fechado havia 3 anos para reforma. Assim partimos para o CIC (Centro Integrado
de Cultura). Havia lá peças estranhas, corredores longos com uma única peça
exposta, alguns quadros e coisas que eu não fazia a menor ideia do que significavam,
contudo, uma e outra peça tinha uma explicação pendurada na parede.
Por último, entramos em outra ala
onde havia 2 corredores com quadros expostos, todos de fotografia e adivinhem
do que? De frutas e hortaliças podres, com os mais diversos fungos. Ufa!!! Pelo
menos ali eu podia entender do que se tratava, até porque cresci em um lote
grande, com muitas frutas e uma horta abastada e por vezes muitas frutas
apodreciam no chão.
Porém, o que sempre me intrigava,
era o fato de que eu não entendia a arte moderna, não tinha a menor ideia do
que aquele monte de cores espalhadas em uma tela significavam. Se não houvesse
um letreiro com explicação, eu passava, tentava encontrar algum sentido, e
saía, me achando burra demais para apreciar aquilo que todos chamavam de arte,
como se só eu não pudesse compreender o que todos conseguiam ver.
Isso me remetia a minha infância,
quando no pré a professora não me deixava desenhar. Os desenhos eram prontos e
eu deveria somente pintar. Aquilo não ajudou muito a desenvolver minha veia
artística voltada para o desenho, e quando mais tarde, já na 7ª série, a
professora de português, disse ao meu pai em uma reunião pedagógica, que eu era
muito infantil, pois eu desenhava em todas as folhas do meu caderno, aquilo pra
mim soou como ofensa, pois eu gostava de enfeitar meus cadernos, de caprichar
na letra, e meus desenhos eram ora de giz ora a lápis. Mostrei ao meu pai e ele
disse que estava caprichado, mas era melhor fazer como a professora havia dito.
Anos depois, fiz um desenho e
pintei-o somente com lápis grafite, com sombras e enviei para o rapaz que eu
namorava. Um tempo depois, quando ele criou coragem, ele perguntou quem eu
havia pago para fazer aquele desenho, porque segundo ele eu jamais poderia ter
feito aquilo. Não entendi como um elogio e conclui que aquele tipo de arte não
era para mim mesmo, e que eu deveria reconsiderar e me dedicar apenas a música.
Mesmo assim, continuei apreciando
a arte, as pinturas de artistas de verdade. Havia sempre algo nas telas que
transcendiam a tinta e que me encantavam. Assim são os quadros da tia Dolcy que
com precisao evocam as mais lindas paisagens e pinturas. Desta forma, já que os
museus não eram compreendidos por mim, comecei a visitar nos shoppings as lojas
de artistas.
No Shopping Neumarkt em Blumenau,
há uma loja com pinturas tão lindas que eu não conseguia parar de olhar e
admirar. Os detalhes eram tão ricos, tão precisos, que me faziam penetrar
naquelas pinturas. No Floripa Shopping há um senhor que tem seu atelier lá e as
pinturas dele são basicamente sobre o mar, praias, barcos, etc. Elas são tão
lindas, que o tempo voa quando as admiramos.
Por esta forma de admirar a arte
simples, cotidiana, de paisagens, de flores, pessoas e seus mundos, eu ainda me
colocava na posição de “infantil”, como que se eu não tivesse amadurecido, e por
isso, jamais conseguia entender a arte moderna mesmo quando via pessoas
estupefatas diante de rabiscos pendurados em uma parede.
Mas graças a Deus, nem tudo é
para sempre, a às vezes a simplicidade é que mostra a verdadeira razão, o ser,
aquilo que Deus deixou intrínseco em nós. E assim, na busca por entender a
política nacional e posteriormente a mundial, e por estes estudos me remeterem
ao globalismo, a revolução cultural, Gramsci entre outros tantos, descobri que
a burra não sou eu, que o belo não mudou e que, na minha simplicidade eu havia
fugido do emburrecimento da arte moderna e que realmente aquilo que eu admirava
é que contava como belo, como sublime, como verdadeira arte, e o resto? Bom, o
resto é resto e normalmente vai pro lixo.
Links relacionados:
A verdade sobre a arte moderna –
Paul Joseph Watson:
Why the beauty matters – Roger Scruton:
Destruição da alta cultura –
Olavo de Carvalho:

