quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Te vi







te vi sentado na pedra
olhando pela janela
buscando o passado
 sobrestado
do futuro imaginado

das loucuras da vida
alegria invadida
sofrida
infringida
banida

sonhavas tu com o por do sol
mas nem perto chegou do arrebol
nascente crescente
velando intensamente
o momento incandescente

tocara o infinito
tomado pelo grito
da dor
do clamor
sem sabor

no momento presente se revela
e volta a olhar da janela
amada
acariciada
flor desejada

ansioso diz que espera
ao tempo que prepondera
pluma a voar
lábios a encontrar
dedos a entrelaçar

assim dizia o cantor
na madrugada a compor
versos só de dor
mentor
do mais puro amor

 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

meu ser


na leitura encontro paisagens
miragens
sobretudo imagens

viajo em pensamentos
conhecimentos
são meus alimentos

na linguagem erudita
sou eremita
e dela parasita

sonho acordada
abobada
entusiasmada

meu constante lazer
prazer
a enobrecer
meu ser






terça-feira, 1 de novembro de 2016

Breve Reflexão


            Em 28 de outubro de 1964 meus pais se uniram em matrimônio.
            Sexta feira que passou eles estariam completando 52 anos de casados. 
          A beleza do amor, que iniciou-se em algum momento do passado, com troca de olhares, com o coração disparado no peito, com o carinho e a vontade de estarem eternamente juntos concretizou-se e aqueles corações unidos pelo amor permaneceram ligados por 48 anos. 

             Lembro do meu pai, já em 2012,  quando acordou na UTI, depois de um AVC, quando não estava dopado pelos medicamentos e a mente dele fluía como antes, assim que ele viu minha mãe entrando naquela UTI gelada, ele começou a cantar: "quanta saudade eu sinto de você, minha namorada, minha namorada...". 
           Ali pude compreender o quanto meu pai estivera longe de ser ele mesmo, de gozar e fruir da vida que lhe estava sendo tomada pelo excesso de medicamentos que por sua vez lhe preservavam a vida.
         Mas a vida passa rápida demais e muitas vezes atropela os visitantes deste mundo com a morte, prematura, eu digo, porque gostaria da eternidade, da vida infindável e com o amor interminável. Esta também seria a chave para o sucesso de se viver para sempre. 
         Penso sempre em meu pai, meu grande amigo e conselheiro, equilibrado no que me dizia e com uma visão além do que eu poderia ter. 
        Contudo, nos obrigamos a aceitar que a vida é uma passagem acelerada e que o que deixamos para trás será o nosso melhor legado. 
         Mesmo que enriqueça, que faça prodígios, que seja rico ou pobre, o lugar onde terminamos é sempre o mesmo, e o silêncio que cerca a tumba é o escuro vazio. 
         O que nos resta agora é mantê-lo vivo em nossa memória, pois ali está o corpo, que em breve deixará de existir, pois ao pó retornou. 



          Como seguir em frente? difícil, digo eu. A dor e a saudade apertam no peito.
Vou para alguns conselhos, retirados de um livro, mas que ajudam a refletir sobre nossa breve passagem aqui:
1. "Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria" Salmos 90:12
 2. Tenha consciência de que o tempo passa rápido e a vida voa. 
3. Entenda que nunca é tarde para aprender a viver com sabedoria.
4. Viva um dia de cada vez, semana após semana, mês após mês, ano a ano.
5. Aproveite as oportunidades que aparecerem hoje e que podem não voltar amanhã.
6. Fique do lado do bem e faça o bem cada dia. 
7. Imagine-se viajando no tempo e avançando 50 anos rumo ao futuro; então olhe para trás, visualiza sua vida e, se ela não estiver levando você na direção de seus sonhos, trate de corrigir a rota. 
8. Saiba que você não tem controle sobre o total de seus dias na Terra.
9. A vida é como uma nota de 100 reais (ou, para alguns, de 50). Você pode gastá-la do jeito que quiser. Mas saiba que só pode gastar uma vez. Aprenda a contar bem os seus dias porque você terá que dar conta de cada um deles.

          Apesar da dor e do sofrimento que nos rodeiam neste mundo, ressalto que é importante tirar o foco de si mesmo e transformá-lo em olhar para o outro, naqueles que estão ainda conosco e que precisam do nosso amor.
          Meus filhos, meus maiores tesouros.  Aqueles em que busco instruir no melhor caminho, na bondade, na compaixão, na força pra lutar e vencer, na busca pela justiça, pelo que é reto e bom. Em inculcar neles verdades absolutas, a ética e sobretudo o amor de Deus.
        Os sorrisos, as vitórias deles, são minhas vitórias e o alvo maior é a união, a força e o amor que nos une.






Os caminhos que se seguirão? estamos construindo agora.
Se caímos, levantamos.
Se choramos, enxugamos as lágrimas, tiramos lições delas e seguimos avante, com a mesma coragem projetada no início.
Se vencemos? nos abraçamos, festejamos e seguimos com segurança de que o caminho é aquele.
Deus? nossa força máxima.
Amor incondicional? filhos.

Assim determino em cada situação que quero ser feliz.
Fiz da felicidade uma tela e sobre ela pinto a minha história.
Assim ela se tornou uma constante em minha vida e a paz que sempre desejei alcançou meu coração.
Não digo com isso que eu não tenha dias difíceis. Os tenho, e muitos e também enfrento muitos desafios. Mas posso dizer que apesar de, que sem, que faltando, que de todos os pesares que possam fazer parte da minha vida, ainda assim, eu sou feliz.