Passo a observar uma rocha. Imponente, forte, inviolável.
Seus propósitos são exclusivamente para os quais ela fora criada. Não há espaço
para nada mais e ela segue os anos em seu desígnio solitário.
Vem a chuva que a refresca, o sol que a aquece e o seu intento sempre a se cumprir. Nada a abala, nada a ofusca, nada a faz mudar: é
sempre a mesma e seu destino está traçado.
As ondas do mar batem, a maré sobe e a água a encobre, mas ela permanece
altiva, poderosa.
Mas há algo nela que a torna diferente, e foi onde meus olhos detiveram-se. Não sei se por acaso ou pelo destino, o vento trouxe uma
semente, pequena, quase invisível diante de tamanha majestade, mas que lança
suas raízes em uma pequena fissura da rocha. Brotos aparecem e um filete de
amor desabrocha.
Aquele pequeno arbusto abraça a rocha com suas raízes e
sentindo-se acariciada por tão grande amor, faz dele o seu penhor.
Os pássaros que estavam sempre a passar, agora estão em seus
galhos a se refrescar e inundados por aquele cenário de cumplicidade embalam com
seus gorjeios o mar.
O sol aparece feliz a aquecer aquela nova dupla que está a
se fortalecer. Vem a lua cheia, que sempre faceira, ilumina o amor que em
sombra se faz uma só.
A rocha, outrora solitária, sorri diante de tal
presente enviado por Deus e agora,
fundidos em um só, encantam aquele lugar.

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