Era o último
dia.
O coração
batia forte ante as expectativas que vagarosamente abriam à sua frente.
Pessoas
iam de um lado para o outro, apressadas não percebiam a beleza histórica do
lugar. Não percebiam a delicadeza das flores e a exuberância das árvores que
adornavam a centenária praça defronte a igreja.
Estupefata
admirava a arquitetura luso-brasileira daquelas construções baixas datadas do século
XVIII, com bordas em azul e amarelo nas eiras e beiras de portas e janelas.
Que lugar
pitoresco!
Que lugar
magnífico!
Por
segundos deixa-se levar aos séculos passados, vendo mulheres com seus longos
vestidos, rendados ou não, acompanhadas por homens com seus chapéus elegantes
transitando tranquilamente por aquelas ruas outrora calmas e tranquilas.
Ah! E o
luxo do palácio! Sonhos de princesa, vida de realeza...
O som de
uma banda a arranca de seus delírios.
Seu olhar
voltou-se para os músicos, que organizaram seu show ao ar livre ao lado das
escadarias da catedral.
Algumas
pessoas paravam e admiravam o que ouviam. Comentários e aplausos entre uma
música e outra.
Assim
como os cavalos deram lugar aos carros, a música simples do realejo dá lugar a
sofisticados sons emitido pelas guitarras, contrabaixos e teclados.
Notas
curiosas, gloriosas, loucas, paralisantes.
Impressionava
a conexão, a vibração, a harmonia.
A música passou a embalar aqueles momentos... Cada minuto vivido era
importante, cada segundo uma afronta ao que queria findar.
Olhava para o relógio... Perscrutava o tempo, embalava o movimento...
Desejava naquele momento que o vento antecipasse o tempo e que
trouxesse com ele a glória do momento.
Angústia que se finda com o sorriso que blinda aquele rosto magnífico,
sonhado, almejado.
Encontro de tempestades em tarde de verão. Eletricidade que tocava o
olhar e como relâmpagos faziam a noite iluminar.
O tempo corre e a vida escorre, sabendo que o fim está próximo a chegar.
Momento extasiante do abraço fulgurante que desejava que não acabasse
mais. Palavras perdidas, encontradas, conexas, ternas, não ditas, engasgadas e
racionalizadas.
Amor na voz daquele que a canção compôs e que mesmo sem cantar, nela o
clamor interpôs.
Aquele mágico momento de almas cruzadas, tocadas pelo beijo das nuvens,
amparadas pelas paredes veladas, caladas, amareladas, na tarde de verão faziam
a vida renascer.
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