quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Tarde de Verão


Era o último dia.
O coração batia forte ante as expectativas que vagarosamente abriam à sua frente.
Pessoas iam de um lado para o outro, apressadas não percebiam a beleza histórica do lugar. Não percebiam a delicadeza das flores e a exuberância das árvores que adornavam a centenária praça defronte a igreja.
Estupefata admirava a arquitetura luso-brasileira daquelas construções baixas datadas do século XVIII, com bordas em azul e amarelo nas eiras e beiras de portas e janelas.
Que lugar pitoresco!
Que lugar magnífico!
Por segundos deixa-se levar aos séculos passados, vendo mulheres com seus longos vestidos, rendados ou não, acompanhadas por homens com seus chapéus elegantes transitando tranquilamente por aquelas ruas outrora calmas e tranquilas.
Ah! E o luxo do palácio! Sonhos de princesa, vida de realeza...
O som de uma banda a arranca de seus delírios.
Seu olhar voltou-se para os músicos, que organizaram seu show ao ar livre ao lado das escadarias da catedral.
Algumas pessoas paravam e admiravam o que ouviam. Comentários e aplausos entre uma música e outra.
Assim como os cavalos deram lugar aos carros, a música simples do realejo dá lugar a sofisticados sons emitido pelas guitarras, contrabaixos e teclados.
Notas curiosas, gloriosas, loucas, paralisantes.
Impressionava a conexão, a vibração, a harmonia.
A música passou a embalar aqueles momentos... Cada minuto vivido era importante, cada segundo uma afronta ao que queria findar.
Olhava para o relógio... Perscrutava o tempo, embalava o movimento...
Desejava naquele momento que o vento antecipasse o tempo e que trouxesse com ele a glória do momento.
Angústia que se finda com o sorriso que blinda aquele rosto magnífico, sonhado, almejado.
Encontro de tempestades em tarde de verão. Eletricidade que tocava o olhar e como relâmpagos faziam a noite iluminar.
O tempo corre e a vida escorre, sabendo que o fim está próximo a chegar.
Momento extasiante do abraço fulgurante que desejava que não acabasse mais. Palavras perdidas, encontradas, conexas, ternas, não ditas, engasgadas e racionalizadas.
Amor na voz daquele que a canção compôs e que mesmo sem cantar, nela o clamor interpôs.
Aquele mágico momento de almas cruzadas, tocadas pelo beijo das nuvens, amparadas pelas paredes veladas, caladas, amareladas, na tarde de verão faziam a vida renascer.






Nenhum comentário:

Postar um comentário