domingo, 21 de setembro de 2014

Inseparável e Amigável Dor



Ponte Hercílio Luz - Floripa/SC - 1930

Estou morrendo...
Não porque eu queira,  mas porque as circunstâncias me levam para a morte.
Estranha esta vida...
Uma vez foi-me dito que eu iria morrer. Era fato. Vi meu local de morte. Vi outros “colegas” de morte mortos,  mas eu não estava junto deles.
Senti meu corpo gelar. Olhei extasiada para a cena e fiquei imaginando onde teria sido meu lugar naquele momento.
Apesar de ter aceitado a morte, agradeci por permanecer viva.
Até aquele momento minha vida tinha um colorido. Ele não mudou drasticamente.
Foi  paulatinamente, em pequenos passos e quando percebi, minha vida havia dado uma volta de 180 graus.
Muitas vezes já me perguntei o porquê de eu ter sido poupada se desde então a dor me tem acompanhado.
O sofrimento tem sido meu companheiro inseparável. Tão inseparável que já é amigável, inigualável.
A luta do dia a dia muitas vezes me parece insuportável.
Já disse milhares de vezes que não tenho mais forças, mas a vida parece não se importar e a força que eu não tinha é que me fez acordar na próxima manhã.
Às vezes surgem raios de luz que rapidamente passam e iluminam o meu caminho geralmente demonstrados com sorrisos, carinho e admiração. 
A luz se vai. A tristeza toma conta de mim quando a escuridão volta a reinar.
Antes a morte abrupta, agora a morte lenta.
Tateando sinto medo.
O  medo é oprimido pela coragem, pelas convicções e certezas e por mais que me aflija a dureza, permaneço em pé e navego com braveza.
Ah...tempos de sonhos, de fantasias e alegrias...
O peso está a me derrubar, contudo a força me faz arrastar e até o limite do fim com certeza vou chegar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário