Sabe aquele momento em que você se sente como uma ovelha indo pro matadouro? Aqueles momentos em que você ainda compartilha da presença do seu "pastor", e você está feliz por aqueles momentos, mas sabe que eles serão curtos, mais breves do que jamais você poderia imaginar, e que logo virá o fim? Há um misto de alegria, pela presença que ainda se pode desfrutar, mas no fundo há uma dor que corrói o profundo do ser.
Este tipo de dor é uma das mais doloridas, pois a morte se perpetua na vida.
A ovelha pensa em correr, mas ao mesmo tempo ela quer ficar e não sabe exatamente o que fazer.
Ela imagina a dor, mas não faz ideia do que é realmente senti-la.
Analiso e questiono sobre o livre arbítrio que nos é concedido. Até onde ele realmente é pleno? Qual o alcance dele em minha vida? Percebo o quão limitado ele é.
Minhas vontades são limitadas pelas vontades de outras pessoas. Posso ardentemente desejar algo, mas se a outra pessoa não quer, então de que adianta minha liberdade de escolha?
Você já teve essa sensação?
Ela me faz sentir inútil, sem forças, porque não posso ir contra o muro de pedras que se formou à minha frente.
O livre arbítrio então se torna pleno na sua limitação, quando eu, com a cara no muro, posso escolher entre ficar ali parada, voltar de onde vim, quem sabe encara-lo e superar o obstáculo, ou ainda mesmo rodeá-lo.
Posso também decidir o que fazer com meus sentimentos a respeito desta situação. Posso chorar, rir, ignorar, amar, odiar...
Algumas vezes esse exercício não é tão difícil e o fazemos sem sequer pensar.
Mas há outras vezes em que as parcas opções que restam não facilitam a escolha, é como se estar entre a cruz e a espada, ou naquela de que se ficar o bicho pega e se correr o bicho come.
O que fazer diante de tais circunstâncias?
Minhas respostas seriam bem óbvias se a situação fosse com outras pessoas. Mas quando elas se tornam pessoais, as respostas parecem estar longe de serem alcançadas.
Ovelha seu último passeio a dar
E seu último jantar a saborear
Decisões longe de a agradar
A tornam incapaz de suportar.
O mundo que o livre arbítrio fez
Não deixou escolhas ter
Contenta-se em estrelas contar
Embalada pelas ondas do mar
Enquanto o muro cresce,
A esperança decresce
Enquanto a distância aumenta
Nada o coração acalenta.
É só o que resta a este ser
Que aprendeu a não temer
Deixar escolhas que não pode ter
Nas mãos do mais sábio Ser.
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