quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PAVOR NA MADRUGADA



Era 1997. Havíamos decidido mudar para SC e alugamos uma casa bonita, branca com janelas marrons. Um pequeno jardim com gramado ao lado e uma calçada onde minha filha de apenas 1 ano poderia brincar tranquilamente.
A casa era bem segura com grade em todas as janelas e não me preocupava ali. A vizinhança também era muito querida. Eu saia todas as manhãs com minha filha para que ela pudesse pegar um pouco de sol e assim logo fiz amizade com os vizinhos, dos quais eu gostava muito. Realmente era um lugar muito gostoso prá se morar.
A casa, internamente não tinha um lay out muito bem pensado: a porta do meu quarto dava pra sala de estar que era aberta para a cozinha e todos os outros 3 quartos tinham saída para a cozinha. Não havia muita privacidade na casa, mas por outro lado, estando na sala ou na cozinha, dava pra saber tudo o que acontecia na casa toda.
Uma noite, já era madrugada, levantei e fiz mamadeira pra minha filha. O berço dela ficava ao lado da minha cama. Ela tomou a mamadeira e voltou a dormir tranquilamente.
Logo que eu havia me deitado, ouvi um barulho na janela, como se alguém a estivesse  abrindo. Acordei meu marido e disse que talvez tivesse alguém do lado de fora da casa. Eu havia acabado de levantar e tinha certeza de que toda casa estava fechada, com exceção da janela da cozinha, que eu sempre deixava aberta uns 10cm  com a intenção de que a casa ficasse ventilada mesmo durante a noite e a grade garantia a segurança.
Acordado, meu esposo ficou atento aos barulhos e então ouvimos barulho  na mesa do escritório como se alguém remexesse os papéis. Imaginamos que alguém  estivesse procurando por dinheiro em cima da mesa, que ficava próxima da janela.
Houve um período de silencio. Quando é madrugada e se está com certo receio, os minutos tendem a ser mais longos.
Novo barulho. Agora a vassoura havia ido ao chão. Conjeturamos: onde mesmo estava a vassoura? Do lado de fora da casa ou dentro? Depois de pensar por alguns minutos, tentando lembrar  onde eu a havia deixado, lembrei: a vassoura estava na despensa, na cozinha. Gelo total! O coração veio parar na boca: havia alguém dentro de casa!
O pavor tomou conta de mim e em poucos segundos minha pulsação havia mudado completamente. Meu corpo estava enrijecido e mal podia me mover embaixo das cobertas. Eu não tinha a menor noção do que poderia acontecer nos próximos minutos e por mais que eu tentasse imaginar, nada de bom surgia em minha mente.
Minha filha começou a resmungar no berço e isso me deixou mais nervosa ainda, pois o medo do possível ladrão vir até o quarto aumentou grandemente ao imaginar como ele poderia se irritar com o choro do bebê e talvez ter alguma atitude mais drástica.
Silencio total.
Mais silencio.
Orações e pedidos a Deus para que nos protegesse. Entreguei minha alma a Deus mais do que uma vez.
Meu marido intencionou levantar-se e acabar de uma vez por todas com aquela agonia, que agora já passara de hora, mas eu apavorada com o pudesse acontecer se ele se deparasse com um ladrão dentro de casa não permitiram que eu o deixasse sair de onde estava.
O silencio continuava e nos deixava mais inertes e neste momento eu já não sentia mais minhas pernas.
Na sala meu piano aberto. Do grave para o agudo, várias notas foram tocadas. Agora sim, a provocação foi total. Eu não imaginava que as 3 horas da manhã alguém pudesse se atrever a querer tirar algum som do instrumento, ainda mais a casa não sendo sua. Só podia ser alguém sob efeito de drogas pra chegar a este ponto!
Não foi suficiente. Nova tentativa. Agora das notas graves para as agudas.
Meu Deus! Isso foi demais e meu marido, escorregando da cama, decidiu que era hora de resolver toda aquela situação e que talvez com uma boa conversa com aquele “músico” intruso, poderíamos encerrar aquele suplício.
Quando ele chegou à porta do quarto, o pavor tomou conta do nosso “músico” o qual reagiu com uma tremenda diarreia contra a parede e então, meio pálido ainda, meu marido exclamou: é um gambá!
Demorei ainda alguns minutos pra absorver a informação, e então depois de muito esforço, com o corpo enrijecido pelo medo, levantei. Colocamos nosso amigo gambá pra fora de casa, pois o bichinho estava tão assustado quanto nós havíamos estado momentos antes e fomos limpar a parede.
Essa foi minha mais apavorante experiência com um visitante inesperado na madrugada.





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