Notas levadas ao vento, sem importância se tornam quando o
que se busca elas não podem comprar. Jogadas pela mesa, sem uso, sem destino
certo, sem ao menos sofrerem da forte influencia capitalista.
São imprescindíveis para muitos momentos, raras quando não
podemos pagar.
Tê-las pressupõe poder, status e uma riqueza que poucos detém
mas ao mesmo tempo inúteis frente a preciosos bens que somos incapazes
de valorar:
a vida, o amor, os amigos, o abraço apertado, a lágrima que escorre,
o sorriso sincero, o olhar apaixonado.
A tarde faceira, ensolarada, a risada que toca o coração, a
música que dança no olhar.
A chuva derradeira, o frio intenso, o abraço que agasalha, o
amor que aquece.
O gorjeio dos pássaros, o ninho que acolhe, a mãe que afaga.
A flor que desabrocha, o perfume que inspira, a fruta saborosa e a cor que encanta.
A noite escura, estrelada, o luar que faz sonhar.
A amizade que com o tempo não morre e o abraço da vida
ligeira.
O amor que enobrece,
o sorriso que entorpece, o beijo que estremece.
A verdade da vida, a realidade da morte, a intensidade da
fé.
Vejo simples notas levadas ao vento e que os bens mais
importantes não podem comprar.
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