sábado, 4 de outubro de 2014

De quem é a culpa?



De quem é a culpa? Minha?..não! nunca!..a culpa é dele, é dela, é do pai, da mãe, do “falso”amigo.  E quando não resta mais ninguém para enumerar na tentativa de resposta à acusatória pergunta, a resposta refugia-se na sociedade, em Deus ou no destino.
Porque é tão difícil para o ser humano assumir as consequências de seus próprios atos?
Indago a mim mesma, indago à justiça que estudo, indago às obras que leio.
Entendo claramente os limites do livre arbítrio. Conversava sobre isso com minha filha ontem quase na madrugada onde o cérebro parece encontrar o momento pra despejar filosofias e nela encontrei ótima companheira de profundos pensamentos e questionamentos.
Falávamos sobre escolhas, responsabilidades e livre arbítrio.
Escolhas que fazemos constantemente. Aquelas que fluem do nosso próprio caráter e que nos fazem ser diferentes, não melhores, mas questionadores da nossa própria existência e dos nossos próprios desígnios como filhos de Deus.
Consequentemente as escolhas estão agarradas e arraigadas às consequências. Não conseguimos admoestar sobre uma sem tratar da outra, tamanha ligação que as amarram.
Pequenas escolhas nos levam pelos caminhos diários da vida, mas grandes escolhas, geralmente aquelas que nos são mais difíceis mudam nossos caminhos, abrem e fecham portas, nos fazem saltar para as nuvens ou nos derrubam ao chão.
Muito bem até ai. Não há problema nenhum quando nossas escolhas nos levam por caminhos que nos deixam felizes, em que sentimos prazer pelo que fazemos e há paz no coração.
A dificuldade está em aceitar quando erramos, quando nos enganamos, quando houve um grande equívoco em nossa escolha e que as consequências nos trarão dificuldades. Talvez seja um alívio para a consciência colocar a culpa em outra pessoa  ou em qualquer outra situação. Cômodo assim? Para a grande maioria das pessoas parece que funciona bem. Mas a quem se está enganando? Aos outros ou a você mesmo? Bem pior é tentar enganar a si mesmo.
Assumir que errou, faz parte de um processo de crescimento, de auto conhecimento das próprias fraquezas e fragilidades. Entender que errou, buscar corrigir o erro – se há esta possibilidade – ou mesmo pedir perdão faz parte do amadurecimento, do entendimento que busca a perfeição, que busca bons relacionamentos, onde se constrói a confiança e principalmente,  a compreensão de si próprio.
Esbarro no livre arbítrio. Há muitas situações que fogem ao controle, em que sou simplesmente a consequência da decisão alheia. Talvez eu possa clarear:
Imagine que estou dirigindo pela estrada, dentro dos limites das leis de trânsito  e outro carro, em alta velocidade atinge o meu veículo. Não foi escolha minha bater, portanto perdi meu livre arbítrio, minha liberdade de continuar o meu caminho. No entanto, na limitação do meu livre arbítrio, posso escolher naquele momento que reação terei diante do fato. Posso descer do carro e gritar com o outro motorista,  ou posso, antes de mais nada, tentar socorrer quem estava comigo no carro, ou ainda posso ligar para o resgate.
Mesmo em situações que fogem ao meu controle, em que o livre arbítrio me foi limitado, ainda dentro destas situações eu posso escolher  o que fazer com a parca lista de possibilidades que me restou.
Escolhas feitas.  Sou responsável por elas não importa o quão limitadas elas tenham me sido apresentadas. Não posso culpar ninguém por ter escolhido A ou B a não ser a mim mesma e aprender com as consequências, quer sejam boas, quer sejam difíceis de engolir.
Enfim...filosofias de vida, de crescimentos, de quedas e do levantar-se delas.
Faz parte da caminhada, dos trilhos da vida, das alegrias e das tristezas, de boas e de más escolhas, e que neste momento, fazem parte deste Registro da vida.


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