domingo, 19 de fevereiro de 2017

A beleza da verdadeira arte


Sempre gostei de arte, de apreciar o belo e sempre pensei que eu gostasse da arte clássica, devido a minha formação musical, também clássica.
Desta forma, toda vez em que eu tinha oportunidade, eu gostava de visitar museus e foi assim quando conheci São Paulo e fui visitar o museu do Ipiranga, ouvir concerto no Teatro do Bexiga, e posteriormente outros museus e mesmo quando estava nos USA e tínhamos um tempo livre, procurávamos por algum museu para visitar e conhecer da história daquela localidade e sua arte.
Em uma das vezes em que estava de férias em Florianópolis com meus filhos, tiramos alguns dias para visitarmos lugares belos, históricos da cidade e também os museus.
O primeiro selecionado foi o da Universidade Federal, e qual não foi nossa decepção ao saber que o mesmo estava fechado havia 3 anos para reforma. Assim partimos para o CIC (Centro Integrado de Cultura). Havia lá peças estranhas, corredores longos com uma única peça exposta, alguns quadros e coisas que eu não fazia a menor ideia do que significavam, contudo, uma e outra peça tinha uma explicação pendurada na parede.
Por último, entramos em outra ala onde havia 2 corredores com quadros expostos, todos de fotografia e adivinhem do que? De frutas e hortaliças podres, com os mais diversos fungos. Ufa!!! Pelo menos ali eu podia entender do que se tratava, até porque cresci em um lote grande, com muitas frutas e uma horta abastada e por vezes muitas frutas apodreciam no chão.
Porém, o que sempre me intrigava, era o fato de que eu não entendia a arte moderna, não tinha a menor ideia do que aquele monte de cores espalhadas em uma tela significavam. Se não houvesse um letreiro com explicação, eu passava, tentava encontrar algum sentido, e saía, me achando burra demais para apreciar aquilo que todos chamavam de arte, como se só eu não pudesse compreender o que todos conseguiam ver.
Isso me remetia a minha infância, quando no pré a professora não me deixava desenhar. Os desenhos eram prontos e eu deveria somente pintar. Aquilo não ajudou muito a desenvolver minha veia artística voltada para o desenho, e quando mais tarde, já na 7ª série, a professora de português, disse ao meu pai em uma reunião pedagógica, que eu era muito infantil, pois eu desenhava em todas as folhas do meu caderno, aquilo pra mim soou como ofensa, pois eu gostava de enfeitar meus cadernos, de caprichar na letra, e meus desenhos eram ora de giz ora a lápis. Mostrei ao meu pai e ele disse que estava caprichado, mas era melhor fazer como a professora havia dito.
Anos depois, fiz um desenho e pintei-o somente com lápis grafite, com sombras e enviei para o rapaz que eu namorava. Um tempo depois, quando ele criou coragem, ele perguntou quem eu havia pago para fazer aquele desenho, porque segundo ele eu jamais poderia ter feito aquilo. Não entendi como um elogio e conclui que aquele tipo de arte não era para mim mesmo, e que eu deveria reconsiderar e me dedicar apenas a música.
Mesmo assim, continuei apreciando a arte, as pinturas de artistas de verdade. Havia sempre algo nas telas que transcendiam a tinta e que me encantavam. Assim são os quadros da tia Dolcy que com precisao evocam as mais lindas paisagens e pinturas. Desta forma, já que os museus não eram compreendidos por mim, comecei a visitar nos shoppings as lojas de artistas.
No Shopping Neumarkt em Blumenau, há uma loja com pinturas tão lindas que eu não conseguia parar de olhar e admirar. Os detalhes eram tão ricos, tão precisos, que me faziam penetrar naquelas pinturas. No Floripa Shopping há um senhor que tem seu atelier lá e as pinturas dele são basicamente sobre o mar, praias, barcos, etc. Elas são tão lindas, que o tempo voa quando as admiramos.
Por esta forma de admirar a arte simples, cotidiana, de paisagens, de flores, pessoas e seus mundos, eu ainda me colocava na posição de “infantil”, como que se eu não tivesse amadurecido, e por isso, jamais conseguia entender a arte moderna mesmo quando via pessoas estupefatas diante de rabiscos pendurados em uma parede.
Mas graças a Deus, nem tudo é para sempre, a às vezes a simplicidade é que mostra a verdadeira razão, o ser, aquilo que Deus deixou intrínseco em nós. E assim, na busca por entender a política nacional e posteriormente a mundial, e por estes estudos me remeterem ao globalismo, a revolução cultural, Gramsci entre outros tantos, descobri que a burra não sou eu, que o belo não mudou e que, na minha simplicidade eu havia fugido do emburrecimento da arte moderna e que realmente aquilo que eu admirava é que contava como belo, como sublime, como verdadeira arte, e o resto? Bom, o resto é resto e normalmente vai pro lixo.  

Links relacionados:
A verdade sobre a arte moderna – Paul Joseph Watson:

Why the beauty matters – Roger Scruton:

Destruição da alta cultura – Olavo de Carvalho:


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