Eu estava na cozinha ajudando em alguma coisa, junto com minha mãe e por ali também meus irmãos. Meu pai disse que iria pintar a lavanderia - era ainda aquele velho puxado de madeira que tínhamos nos fundos da casa - e pegando seus apetrechos, se foi.
Logo depois, fui lá falar com ele, e o encontrei em cima da escada pintando a parede externa na parte mais alta.
Entrei. O movimento de uma família italiana com uma prole de 5 continuava lá dentro.
Meus irmãos entravam e saíam pela porta da cozinha, brincando e jogando bola na calçada.
Algum tempo depois entra meu pai, vindo dos fundos, todo molhado, por causa da pancada de chuva que havia caído repentinamente. O cabelo estava escorrido e parecia com o cabelo de índio. Sentou-se à mesa da copa, procurando alguma coisa por ali. Minha mãe "mandou" ele se enxugar, mas ele fez de conta que não ouviu.
Preocupada com ele, sentei na frente dele e segurei uma de suas mãos. Eu queria falar com ele, mas alguém parou ao meu lado e vacilei - o que eu precisava dizer era muito sério. Por fim pensei: "azar, eu preciso falar".
Ainda segurando a mão dele, eu disse:
"pai, você não pode ficar molhado assim, não pode ficar doente, senão você pode morrer e eu só te encontro aqui, nos meus sonhos e você não pode sair daqui."
Acordei...
Lembro disso e choro...não quero perder ele dos meus sonhos...
Talvez pela pressão que tenho sofrido -minha própria, de fato - tenho, nestes últimos dias me sentido frágil e precisando de um abraço.
Gostaria mesmo de ter meu pai por perto, de sentir a segurança dele, mesmo que ele dissesse: "mas que burrrrrrra, pra que se preocupar assim??"
Estou com muitas saudades...
Nenhum comentário:
Postar um comentário