quinta-feira, 9 de julho de 2015

Pequena reflexão sobre a política criminal brasileira


A política criminal brasileira tem-se mostrado ineficaz quanto à recuperação e ressocialização de presos ou mesmo daqueles que cometem atos ilícitos, dada a grande reincidência dos criminosos. Ineficaz porque não alcança os seus propósitos e as condições prisionais brasileiras não favorecem para que isto aconteça.
Os mecanismos de controle dos crimes deveriam ser direcionados para a base, para o início da formação do cidadão, observados a educação escolar, familiar, prezando, sobretudo para a construção de um caráter digno de se viver em sociedade de forma harmoniosa com os princípios éticos que a regem.
Em se falhando nestes itens e havendo cometimento de crimes, estes deveriam, ao mesmo tempo em que se estabelece penas mais duras, concomitantemente a elas, que o indivíduo passe por um processo de reeducação. Não se pode mudar uma conduta apenas com penas e sanções. A mudança de comportamento deve ser estimulada no apenado, buscando que ele entenda o caráter do ilícito cometido por ele e a compreensão de que os atos criminosos por ele não são aceitos pela sociedade. A mudança de comportamento, estimulada por meios externos, como a  educação, deve ser compreendida e a partir disso, que o indivíduo requeira mudança nele mesmo. Este crescimento interno e intelectual dá-se pela educação, principalmente pela leitura de livros próprios, onde o apenado, através da introspecção e análise própria possa concluir que existe condições de mudança se ele quiser. Os índices mostram que a maior parte dos apenados tem baixa escolaridade, o que reforça a tese da educação.
Sobre penas mais duras, há nítida demonstração do Estado em se afastar e evitar a punição. Algumas penas são tão inócuas que não evitam nem por medo ou constrangimento a reincidência, como se sofrer um processo crime e ser condenado fosse apenas parte do jogo. A pena privativa de liberdade tem mostrado que não traz solução, ademais as penas alternativas também são brandas demais e não há fiscalização suficiente para acompanhar se as mesmas estão sendo cumpridas ou trazendo os resultados esperados. Ainda, se o Estado não deseja punir, então ao menos deveria deixar que a sociedade se defendesse por si própria, o que já seria outra grande discussão.
Há grande necessidade de mudanças e soluções eficazes. Quem sabe iniciando por se ter realmente uma política criminal nacional, com estruturas filosóficas formadas, com um cerne que a ampare, com legisladores comprometidos com a sociedade e o bem estar da mesma, o que inclui os encarcerados.



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