Sempre gostamos de milho verde em casa.
Lembro-me que desde que eu era pequena (menor do que sou), meu pai plantava milho e no verão tínhamos milho verde pra comer. Lembro também que ele sempre preferia as mais maduras, aquelas com os grãos mais amarelados e mais duros enquanto nós, crianças, preferíamos aquelas mais novinhas, com os grãozinhos bem molinhos e novinhos, tão novinhos que era possível comer a ponta do sabugo de tão macio que era.
Observava meu pai comendo aqueles grãos duros, mastigando com força e o imaginava um herói e como seus dentes eram fortes pra comer o milho mais velho.
Quando me tornei adulta, experimentei ser como meu pai. Comia também os milhos mais amarelados e me imaginava forte como ele, mas aquilo não me deixava totalmente feliz: eu ainda preferia, assim como quando criança, o milho mais novinho, mais macio, aquele em que havia mais caldinho pra chupar depois de comido os grãos.
Poucos anos atrás, na casa de meu pai, fizemos milho verde pra comer. Depois de colocar a travessa na mesa, minha filha foi pegar um milho daqueles mais velhos, mais amarelos e eu disse a ela:
- Não filha, deixa este pro nono que é o que ele mais gosta.
Meu pai, ao contrário, pegou um bem macio, e com cara de sem graça me disse:
-Não, eu gosto destes (os bem macios e novinhos).
Eu não entendi. Então ele encabulado me explicou:
- Eu comia os mais velhos pra deixar os novinhos e macios pra vocês.
Permaneci olhando para meu pai. Naquele momento, minha concepção foi melhorada para uma muito maior, muito melhor: a de pai amor.

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