segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mais considerações humanas

Já escrevi anteriormente sobre o livre arbítrio e como ele nos é restrito dentro da nossa própria esfera de vida e onde existimos e coexistimos com outros seres.
Cito nesta mesma linha de pensamento o Dr. Viktor E. Frankl " Sem dúvida, o ser humano é um ser finito e sua liberdade é restrita. Não se trata de estar livre de fatores condicionantes, mas sim da liberdade de tomar uma posição frente aos condicionantes". [...]o ser humano é auto-determinate, em última análise. Ele não simplesmente existe, mas sempre decide qual será a sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte. (Em busca de Sentido, p.73)

"O ser humano não é uma coisa entre outras; coisas se determinam mutuamente, mas o ser humano, em última análise, se determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna - dentro dos limites dos seus dons e do meio ambiente - é ele que faz de si mesmo. No campo de concentração, por exemplo, nesse laboratório vivo e campo de testes que ele foi, observamos e testemunhamos alguns dos nossos companheiros se portarem como porcos, ao passo que outros agiram como se fossem santos. A pessoa humana tem dentro de si ambas as potencialidades; qual ser concretizada, depende de decisões e não de condições".(idem p.74)

Tive um professor na faculdade que repetidas vezes disse que aqui no sul temos uma vida inigualável, que jamais teríamos condições de julgar aqueles miseráveis das favelas de São Paulo - onde ele havia trabalhado - pois eles não tinham opção nem escolhas, a não ser a criminalidade, àquilo que a sua própria sociedade oferecia.
Nunca morei numa favela, mas não lembro também de viver num mar de rosas, pois tudo o que se tinha em casa era conseguido com muito sacrifício por parte dos meus pais e logo que crescemos um pouco, com o nosso trabalho e esforço também.
Meu questionamento sempre foi: eles também tem escolhas. Se a sociedade não oferece opções, a sociedade é um coletivo e o ser é um indivíduo. Se a coletividade não oferece, isso não isenta o indivíduo das suas próprias escolhas. Portanto, cada ser humano pode escolher, dentro das suas ínfimas limitações o que quer ser, pois o "porco e o santo" estão à sua disposição dentro de si mesmas. O que me anima, é que estas descobertas foram feitas dentro das piores condições humanas que se pode oferecer a alguém: o campo de concentração de Auschwitz.


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