quarta-feira, 16 de abril de 2014

5:50

Eu estava segurando a mão dele
Não havia músculos ou pele
Eram só ossos, como de um esqueleto.
Mesmo assim eu disse:
-Mão macia pai!
Ele riu.
No próximo segundo
Ele estava deitado em outro lugar
Segurei novamente as mãos dele
Agora normais, como sempre foram.
Eu lhe falava da minha saudade
De como sentia a sua falta
 E como era bom segurar novamente suas mãos
Ele dizia :
- Que lindinha!
- Que querida!
Esse não era o jeito do meu pai falar e estranhei.
Então ele começou a cantar, como sempre fazia:
" Quem chora no meu ombro
Eu juro que não vai embora
Que não vai embora
Que não vai embora
Porque gosta de mim"




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