sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Deus no comando

Em novembro de 2018 eu me sentia bem, feliz e forte depois de tantas tormentas em minha vida. O sol havia voltado a brilhar e decidi com meus filhos que aquele seria nosso melhor Natal. A casa ficou muito iluminada e nós 3 estávamos muito felizes.
Contudo, no dia 22 de dezembro (dia do meu aniversário) minha filha fez um ultrassom de tireoide, pois ela estava um pouco saliente e imaginávamos ser uma tireoidite, já que em exames rotineiros nunca foram encontrados transtornos nos hormônios T3 e T4.
Naquele fim de tarde, com o resultado em mãos, minha filha, com olhar preocupado,  disse que as notícias não eram boas: havia forte suspeita de ser câncer.
Após vários tratamentos, alguns deles um tanto desgastantes, ela foi convencida a fazer a PAAF. Escolheu um médico de sua confiança e eu entrei junto na sala de exames. Devo dizer que ela odeia agulhas e mesmo pra tomar vacinas ou fazer um hemograma, ela fica muito nervosa e muitas vezes passa mal.
Naquela tarde chuvosa (quando não chove nessa região?), entramos em uma sala apertada onde o médico a posicionou para o exame. Não haveria problema nenhum eu assistir um exame daqueles, se não fosse em minha filha. Na primeira perfuração da agulha, guiada por ultrassom, o sangue jorrou abundante, como se fosse uma bolha explodindo. Após essa primeira incisão, seguiram-se mais duas, não com menos dor e tensão. Na última, eu já estava passando mal de tristeza e dor vendo minha filhinha ter que passar por aquele procedimento, e ela com coragem superando a si mesma.
A confirmação do câncer veio e pela primeira vez vi minha filha chateada e triste, mas não desanimada.
A cirurgia foi realizada dia 29 de outubro. Aguardamos ansiosos pelo fim da cirurgia e por notícias. Depois de algumas horas de espera o médico, Dr. Sergio Ferreira, vem ao nosso encontro e com um sorriso enorme no rosto disse que a cirurgia tinha sido um sucesso, de que não precisou retirar as paratireoides e que os linfonodos estavam ok.
Durante os próximos 10 dias vi minha filha reviver. Apesar da dificuldade para falar e engolir, ela fazia piada de tudo. Ela nem podia rir, segurava o pescoço e o peito pra sentir menos dor, mas a risada fluía nela como há anos eu não via.  Fiquei muito feliz por ela voltar a sorrir e principalmente por voltar a sonhar. Fez planos, me mostrou fotos e andava alegremente por todos os lugares.
Decidiu voltar pra Joaçaba: ela estava bem, estava confiante, queria logo um emprego e seguir sua vida.
Na quinta-feira, dia 07 de novembro ela teve consulta com seu médico. Receberia os resultados da biópsia, faria uma radioiodoterapia em janeiro somente para prevenção e eliminação de qualquer resquício de células cancerosas e pronto, tudo estaria acabado com um belo final feliz.
Parece que as coisas não acontecem exatamente como sonhamos, e dos 4 linfonodos retirados para biópsia, 2 já estavam infectados.
Metástase não é uma palavra muito boa de se ouvir e o significado dela cheira morte.
O sorriso acabou, a preocupação voltou exponenciada e regada a muitas, mas muitas lágrimas mesmo.
Apesar da risada ter acabado, ela está otimista: imagina mãe, é só uma metástase, isso se resolve muito fácil.
Ela voltou pra Joaçaba, queria ver os amigos.
Daqui alguns minutos viajo a Florianópolis pra ficar final de semana com minha mãe que se recupera de uma cirurgia e várias complicações de saúde. Na na quarta retorno pra Floripa com a Dannie para consulta na clinica que fará a radioiodoterapia.
Busco forças em Deus, pois a carga é pesada demais para mim, e se Ele não me carregar, não conseguirei avançar.







Nenhum comentário:

Postar um comentário