Participei de uma exumação no final de semana.
Acredite, não é aconselhável e
tampouco algo do qual se possa dizer que foi bom, ou mesmo que tenha valido a
experiência, a menos que se pensar em não repeti-la.
Os mortos devem permanecer onde
estão e abrir feridas já cicatrizadas não é um bom exercício, tampouco
rejuvenesce o espírito.
A Psicologia diz que devemos
retirar tudo o que está confuso dentro de nós, como se estivéssemos arrumando o
guarda-roupa, colocando todas as roupas para fora e depois então organizando. Não
consigo colocar meus sentimentos e cicatrizes no mesmo patamar de meu guarda
roupas. As roupas são facilmente dobradas, separadas por estação, por tipos e
cores, e colocadas em seus lugares.
Contudo, sentimentos não podem
ser recolocados nos mesmos lugares novamente. Cada vez que mexemos neles, que
reabrimos feridas, não há como colocar novamente no mesmo lugar. Devo comprar
um novo roupeiro? Não, pois eu sou a mesma, não posso ser outra pessoa. E o que
percebo, é que estes sentimentos vão passar por um novo processo, talvez estas
feridas cicatrizem um pouco mais depressa, mas não sem dor e sofrimento
novamente.
Quando uma ferida é aberta, é
como um câncer que fez metástase: ela acaba abrindo outras feridas, atingindo
outros órgãos, como em uma consecução de atos e fatos e desencadeia outros
sentimentos que se acumulam. Com o passar dos dias se percebe que mais
sentimentos de tristeza e outros tantos pelos quais já se passou vem à tona e
juntam-se num só coro de tristeza para dizer que também estão presentes em sua
vida.
Mais dias haverá para encontrar
outros remédios, talvez os mesmos que foram eficazes da primeira vez, ou talvez
estes já estejam fora do mercado e outros não tenham mais o efeito desejado.
Há a solução dada por Deus: olhar
para cima, para o próximo e não para suas próprias feridas, pois doerão menos
se não olhar para elas.
O processo irá acontecer, as
feridas irão fechar novamente e a dor passará, deixando desta vez apenas uma
cicatriz um pouco maior.

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