quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ilhas Faroe e algumas considerações mais humanas


Sou vegetariana, na verdade, ovolactovegetariana e nos diferenciamos dos veganos na filosofia e motivações(não significa que não concordamos), porém somos completamente iguais em um ponto: não comemos carne. 
Isto posto, gostaria de tecer algumas considerações sobre o programa de ontem a noite, da participação do "Não conta lá em Casa" na Mostra de Cinema promovida pelo Direito/UNOESC:

A primeira delas seria a respeito das reações provocadas nos alunos de direito pelas imagens da matança das baleias nas Ilhas Faroe. Digo que acusar aquelas pessoas de assassinas é talvez um argumento um tanto impensado, já que o Brasil é um grande consumidor de alimentos cárneos e o sangue que há nas mãos daqueles baleeiros é o mesmo que há nas mãos de cada carnívoro com a única diferença de que eles o fazem e nós pagamos para fazer. Ou seja, enquanto no seu prato de porcelana frigi um bife quentinho ou um filé de frango, lembre-se da morte das baleias que tanto o atormentou e a reação de repulsa será a mesma.

2º. A maior produção de grãos do Brasil é direcionada para a alimentação dos animais. Cerca de 52% ou 53% dos antibióticos produzidos no mundo são para uso animal. 29% da Floresta Amazônica foi derrubada em 2013 para ser transformada em pastagens ou para plantação de soja com o destino já mencionado acima. Nunca houve no mundo uma tão grande produção de alimentos e por outro lado nunca houve tanta FOME na Terra. Alguma coisa está errada, não?

3º e não menos importante, mas para mim, o mais profundo dos 3 tópicos que estou analisando, e vou partir de uma experiência pessoal: alguns semestres atrás, estava eu em uma aula (evitarei citar matéria/professor/turma - por motivos óbvios), e o professor perguntou para as meninas quantas fariam aborto no caso de uma gravidez indesejada. Havia na sala umas 25 meninas, e para meu desespero, 8 ou 9 levantaram a mão afirmando que sem qualquer problema fariam um aborto. Traço aqui um paralelo com o assunto que estou tratando: se um ser humano é capaz de matar seu próprio filho, aquele que acabou de gerar, que é sangue do seu sangue ( não falo de matar um desconhecido, de financiar uma guerra ou qualquer outra forma de assassinato em que não se suje as mãos de sangue), falo de um ser humano gerado de si próprio, se uma pessoa é capaz de tal atrocidade, será que irá se importar com algum outro ser vivo? com algum animal? A resposta  óbvia seria que não, apesar de que, para surpresa, pode-se ouvir um grande "sim, eu me importo com os animais e jamais mataria qualquer um deles"! Vejo total hipocrisia ou será que isso é inversão de valores? Talvez o poste fazendo xixi no cachorro? Não sei... Mas neste ponto discordo completamente dos veganos quando dizem que evoluímos, que já superamos a fase de precisar matar para viver. O mundo evoluiu em tecnologia, em comunicação, em poder atravessar o planeta em poucas horas e em outras milhares de coisas,  mas em amor, em sensibilidade, em empatia, em valores de preservação à vida,  com certeza, nestes quesitos involuímos e muito. Se nossos antepassados pudessem nos olhar, sentiriam vergonha da sociedade que estamos produzindo.


* o vídeo pode ser assistido em <http://globosatplay.globo.com/multishow/v/3738985/> ou <http://www.televideoteca.com.br/multishow/nao-conta-la-em-casa#_=_>
Veja ainda:
<http://vista-se.com.br/brasil-mata-um-boi-um-porco-e-166-frangos-por-segundo/>

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