Pensamentos, palavras e ações...
Estamos submetidos à égide de nossas
palavras?
Aquilo que falamos é
realmente o que fazemos? Em que pautamos nossos pensamentos, palavras e atos?
Toda atitude nasce no
pensamento e nossa mente é incrivelmente fascinante e nela podemos produzir
qualquer tipo de pensamento, desenvolvermos teses, chegarmos a conclusões,
analisarmos afetos, desafetos, atitudes e mesmo produzi-las. Essa formatação é
incrível e não há cópias para os caminhos que os neurônios fazem em nosso cérebro. Somos únicos e isso nos faz
seres mais do que especiais. Não somos “fabricados” em série e nem há e nunca
houve um ser humano sequer que fosse igual ao outro.
Os pensamentos nos levam
muitas vezes a palavras. Todo tipo de palavras, boas ruins, em qualquer língua,
muitas vezes algumas das quais nem sabemos o real significado, mas falamos
porque temos boca. Nossos pensamentos podem ser expressos pelas palavras:
aquilo que almejamos, o que esperamos de alguém, lembranças, momentos importantes,
trabalho, piadas, reflexos de outros, nossos sentimentos e amor ou mesmo ódio.
Temos essa incrível capacidade de nos expressar, não significando que podemos
dizer tudo o que nos vem a mente, pois há um filtro que se chama ética, outro
moral, outro respeito e muitos “outros” que nos fazem refletir um pouco antes
de dizermos palavra.
Os pensamentos também nos
levam a atitudes. E assim como as palavras, estas devem ser filtradas por bom
senso, por leis que nos regem, sejam elas morais, éticas ou mesmo cogentes,
impostas pela própria sociedade, pela igreja, ou ainda pelas normas do Estado.
Podemos limitar nossas atitudes em decorrência da fé, independente de qualquer
denominação religiosa, sendo consequência de uma vida contínua da busca pelo que
é bom, reto, edificante e que nos aproxima do Deus a quem honramos.
Comparar pensamentos com
palavras e atitudes pode ser um tanto subjetivo, porque muitas vezes estes não
correspondem com aqueles, porque posso muito desejar uma coisa e falar ou fazer
outra. Mas quando ouço Jesus: “Pois do que há em abundância no coração, disso
fala a boca. Mateus 12:34”,
então penso que muitas das nossas palavras são exatamente aquilo que há em
nossa mente? Viajo pra Paulo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que
não quero esse faço. Romanos
7:19” Meus pensamentos podem desejar o bem, querer o bem, mas na hora da
atitude, fazer tudo errado?
Uma afirmativa não nega a
outra, simplesmente mostra a complexidade do ser humano. Desenho em minha mente
o que desejo ser, o que pretendo dizer, racionalmente sei por qual caminho a
seguir, mas não somos só razão: somos razão+emoção. Não podemos nos dividir em
dois (divisão Aristotélica) e simplesmente separar nosso ser racional do emocional.
Deus nos criou unos racionalmente e emocionalmente. Jamais poderemos ser só
emoção ou só razão. Sempre uma interferirá na outra e só poderemos alcançar a
felicidade – também pregada por Aristóteles – quando tivermos harmonia e equilíbrio
entre essas duas faculdades.
Concluo então que podemos
ter pensamentos bons, maus e mesmo assim não transformá-los em palavras ou
atitudes. Mas quando estas ultrapassam os limites do pensamento e criamos
expectativas em nossos destinatários e não conseguimos cumprir o que dissemos
temos uma contradição. Nossas dificuldades aumentam e nossas relações são
colocadas a prova. Nossa confiabilidade é questionada e a situação é agravada
quando na sequencia das palavras nossas atitudes se contradizem. Vejam quão
complexo é o ser humano em suas relações: pensamentos que levam a palavras transformadas
em atitudes. Então uma delas não corresponde a outra ou mesmo nenhuma delas se
corresponde. Quantas contradições. Como o destinatário de todas estas ações se
comporta? Será que ele consegue compreender quem é você ou o que realmente você
pensa e está querendo reproduzir?
Quem somos ou o que somos?
Nossa essência corresponde as nossas atitudes? Minhas palavras, minha postura,
meus gestos, meu olhar correspondem ao que sinto em meu coração, aquilo que vai
em minha mente e que move meu ser?
Posso fazer tudo certo,
mas também posso fazer tudo errado.
Nessa turbulência entre
erros e acertos, posso magoar pessoas que amo e que estão próximas a mim.
Transparência, fidelidade ao que se diz e ao que se promete, buscar ser sempre
melhor. Não melhor do que os outros- somos únicos- mas melhor do que a si
próprio e no doar-se aos outros.
Muitos, assim como eu, são
norteados pelo princípio da presunção da veracidade, talvez por ingenuidade, e confiamos em
outros até que se prove o contrário. É muito bom quando a verdade daquilo que
vimos e sentimos permanece, amadurece e se incorpora a própria vida. Porém quando
a prova contrária aparece, a confiança declina e a mágoa vem agravada quando as
expectativas são grandes e a confiança naquela pessoa maior ainda. Considero
ainda mais difícil quando a relação com a outra pessoa é de amor e você entregou
a ela todo o seu ser. O que fazer nestes casos? Como recuperar a imagem de verdadeiro, de boa pessoa com
boas intenções se a essência, aquilo que você espera de si mesmo, não foi expresso por suas atitudes? O que se pode fazer quando as palavras são contraditas
pelos atos? Como podem relações rompidas por essas mágoas serem
recuperadas?
Há uma palavra que pode
desconstruir toda essa situação negativa: perdão. É o que eu espero que façam
quando me magoam e é o que eu espero fazer quando minhas atitudes são contrárias
as minhas palavras ou pensamentos, ou quando eu perceba que agi de forma
negativa e magoei alguém.
Não digo que este seja um
caminho fácil, pois é difícil para quem pede e difícil para quem deve perdoar.
Ambos exigem um trabalho interno acirrado, porém proveitoso para ambas as
partes. O perdão não significa volta ou status
quo ante. Perdão e volta são duas coisas distintas e não se confundem. Perdão
indica “daqui em diante” (efeito ex nunc),
pois toda e qualquer experiência vivida, seja positiva ou negativa, não se
apaga da nossa mente, não é deletada, mas essas experiências trazem grandes
lições e com elas crescemos, aprendemos e nos aproximam da harmonia entre a nossa
essência e nossas atitudes.
Enfim, quero concluir
dizendo que há uma consequência do perdão, aquela que todos almejamos e que
ambos desfrutam não podendo ser valorada, tamanho o seu significado: a PAZ.

Nenhum comentário:
Postar um comentário